Agregador ponderado · modelo probabilístico · Eleição presidencial 2026

Placar 2026

Editorial sobre o resultado do 2º turno. A apuração, a projeção e a previsão estão na página inicial.
Atualizado em
26 out 2026 · 100% das seções
1º turno 04 out · 2º turno 25 out
Daniel Pessini Sobreira · modelo, dados e painel
Editorial · Placar 2026

A virada que as pesquisas não viram

Lula sai de 2 pontos atrás no 1º turno e vence Flávio Bolsonaro por 3,6 pontos. O voto mudou em 97% dos municípios, mais no Sudeste e onde Flávio era mais forte. Pesquisas, mercado de apostas e o próprio Placar, que dava 18% a Lula, erraram juntos.

Daniel Pessini Sobreira · 25 de outubro de 2026, 22h · atualizado em 26 de outubro com a totalização de 100% das seções do TSE

Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito para um quarto mandato com 64,3 milhões de votos, 51,8% dos válidos, contra 59,8 milhões (48,2%) de Flávio Bolsonaro. A diferença, de 4,4 milhões de votos e 3,6 pontos percentuais, não é apertada para os padrões brasileiros recentes, e é maior do que a de 2022. O que torna o resultado notável é o caminho até ele. Há três semanas, no 1º turno, Flávio teve 47,0% e Lula 45,2%; contados só os votos dos dois, Flávio estava 2 pontos à frente. Na véspera, a média das pesquisas ainda o mostrava ligeiramente adiante, o mercado de apostas dava a Lula uma chance em cinco e este Placar, 18%.

Três semanas, 5,6 pontos

A margem andou 5,6 pontos em favor de Lula entre os dois turnos. Lula somou 10,4 milhões de votos ao que teve em 4 de outubro; Flávio, 3,7 milhões. Os demais candidatos do 1º turno tinham reunido 9,3 milhões, e o comparecimento subiu de 78,9% para 80,8%, o que trouxe perto de 3 milhões de eleitores a mais. A conta fecha com a maior parte desses votos indo para Lula. Uma regressão por município sugere algo como dois terços do voto dos demais candidatos para ele, mas é inferência ecológica, feita com totais por lugar e não com eleitores: serve de ordem de grandeza, não de retrato.

De onde vieram os votos

O ganho líquido de Lula, 6,7 milhões de votos na diferença entre os dois, veio de duas regiões. O Sudeste respondeu por 43% dele e o Nordeste por 38%.

RegiãoMargem 1º turnoMargem 2º turnoVariaçãoGanho de Lula
Sudeste−12,8−5,5+7,32,86 mi
Nordeste+34,8+38,7+3,92,56 mi
Sul−31,5−25,2+6,40,47 mi
Norte−4,80,0+4,80,46 mi
Centro-Oeste−26,8−20,0+6,80,30 mi
Exterior+4,5+7,6+3,10,01 mi
Brasil−2,0+3,6+5,66,66 mi

Margem = Lula − Flávio, em pontos percentuais dos votos dados aos dois. Ganho de Lula = variação líquida de (votos de Lula − votos de Flávio) entre os turnos. Cálculo do Placar 2026 a partir dos dados do TSE, unidade a unidade.

São Paulo sozinho deu 1,4 milhão de votos dessa diferença: Flávio venceu no estado, mas a vantagem dele caiu de 15,2 para 7,7 pontos. Minas Gerais, que no 1º turno deu 5,4 pontos a Flávio, terminou com Lula 0,9 ponto à frente, e mais uma vez o estado acompanhou o vencedor nacional. O Rio de Janeiro teve a maior variação do país, 8,5 pontos, e a capital fluminense passou de Flávio para Lula. A mesma troca aconteceu em cidades das periferias metropolitanas, como Osasco, Cotia e São Vicente em São Paulo, Ribeirão das Neves, Santa Luzia e Ibirité na Grande Belo Horizonte, Alvorada e Sapucaia do Sul na Grande Porto Alegre e Ananindeua na Grande Belém.

No Nordeste, a variação foi menor, de 3,9 pontos, porque Lula já partia de margens acima de 30 pontos. Ali o ganho veio também do comparecimento, que subiu 3,3 pontos na Bahia e 3,0 em Pernambuco. O Norte, onde Flávio vencera por 4,8 pontos, terminou empatado, com o comparecimento em queda, sobretudo no Amapá, no Acre e em Roraima.

Mudança de voto, não só de comparecimento

A margem de Lula melhorou em 97% dos 5.571 municípios. Ele virou 211 cidades que tinham dado vitória a Flávio no 1º turno, contra uma única no sentido oposto, e passou de 2.663 para 2.875 municípios vencidos. O movimento foi mais forte justamente onde Flávio era mais forte. Nos municípios em que Flávio tinha vencido por mais de 30 pontos, a margem andou 7,1 pontos para Lula; nos redutos em que Lula tinha mais de 30 pontos, andou 3,0. Também foi maior nas cidades médias e grandes (entre 6 e 7 pontos nas de mais de 50 mil eleitores) do que nas pequenas (4,3 pontos nas de menos de 10 mil).

Esse desenho importa para a leitura do resultado. Se a virada tivesse vindo de mobilizar a própria base, ela apareceria sobretudo nos redutos de Lula e acompanharia o aumento do comparecimento. Não foi o que aconteceu: a variação da margem quase não se relaciona com a do comparecimento entre municípios e zonas eleitorais (correlação de 0,11). A vitória de Lula veio principalmente de eleitores que mudaram de lado ou que, tendo votado em outro candidato em 4 de outubro, escolheram Lula, inclusive em território adverso.

O que os números não viram

Nenhum dos instrumentos que acompanham a eleição antecipou essa dimensão. A média das pesquisas da véspera dava Flávio 1,1 ponto à frente, o Polymarket dava 20,5% a Lula na manhã do domingo e o modelo principal deste Placar, 18%, com mediana de Flávio por 2,1 pontos. O resultado ficou acima do limite superior do intervalo de 95% do modelo, que era Lula por 2,0. Não foi um caso de azar dentro do intervalo, foi um erro.

Parte desse erro é do próprio Placar. Os ajustes que o modelo aplica às pesquisas (o desvio conhecido de cada instituto e o desconto das rodadas finais) deslocaram a estimativa mais 1,1 ponto na direção de Flávio. A lição do 1º turno, em que as pesquisas subestimaram Flávio, foi lida como um viés persistente. A análise feita depois de 4 de outubro já indicava outra explicação, o voto útil dos eleitores de candidatos menores migrando para Flávio na reta final, e por isso o modelo deixou de transferir o erro do 1º turno para o 2º. Mesmo assim, a direção das correções continuou a mesma, e no 2º turno o erro mudou de lado: as pesquisas subestimaram Lula em cerca de 4,7 pontos de margem. A revisão do modelo precisa partir daí: erros de pesquisa no Brasil não têm sinal fixo de uma eleição para a outra, nem de um turno para o outro.

A noite da apuração

A noite teve um roteiro fora do comum. Uma decisão judicial estendeu até as 19h o horário da apuração, e boa parte das seções já totalizadas esperou para transmitir. Às 17h06 o TSE publicou 0,25% das seções, e a contagem só andou de fato depois das 19h. Daí em diante, os resultados chegaram em lotes por estado, com o Distrito Federal, o Paraná e estados do Norte e do Centro-Oeste na frente e São Paulo, o Rio e a maior parte do Nordeste atrás.

  1. 19h051,5% apurado; Lula à frente na contagem, por 4,5 pontos.
  2. 19h29A projeção do Placar chega ao ponto mais alto, Lula por 6,1, com 5,4% apurado.
  3. 19h44O modelo chama a eleição para Lula, com 13,4% das seções.
  4. 19h45Flávio passa à frente na contagem.
  5. 20h03Maior vantagem de Flávio na contagem, 1,0 ponto, com 25% apurado; a projeção está em Lula por 4,5.
  6. 20h25Lula volta à frente na contagem, com 48,4% apurado, e não sai mais.
  7. 21h1099,7% apurado: contagem em Lula por 3,5 e projeção em 3,6.
  8. 23h26Totalização de 100% das seções: Lula por 3,57 pontos, 4.430.191 votos à frente.

Durante 40 minutos, quem acompanhava só a contagem viu Flávio na frente enquanto a projeção apontava Lula. A diferença tinha explicação: os estados que chegaram primeiro eram mais favoráveis a Flávio do que o país, e o modelo compara cada lugar com o seu próprio resultado do 1º turno. Mas a projeção também errou para mais no começo. A chegada em lotes por estado, que um teste feito durante a noite mostrou ser o cenário mais difícil para o modelo, inflou a margem de Lula nos primeiros ciclos, e a chamada, com 13% das seções, veio mais cedo do que a prudência recomendava. A partir de 30% apurado, a projeção nunca errou a margem final por mais de 0,63 ponto, e o resultado ficou dentro do intervalo de 80% em 96% das atualizações.

O que fica

Lula vence de forma clara, mas num país que segue dividido. Flávio venceu o Sul e o Centro-Oeste com folga, empatou o Norte e teve quase 60 milhões de votos. O que decidiu a eleição foi uma faixa de eleitores do Sudeste urbano, das periferias metropolitanas e das cidades médias, além dos que tinham votado em outros candidatos, que se moveu em bloco em três semanas sem que as pesquisas registrassem a dimensão do movimento. Entender quem são esses eleitores e por que as pesquisas não os captaram é a tarefa que fica, para os institutos e para este Placar.

Os números deste editorial são da totalização de 100% das seções divulgada pelo TSE às 23h26 de 25 de outubro; a primeira versão, publicada às 22h, usava 99,9% das seções. Margens e variações por região, estado e município foram calculadas pelo Placar 2026 a partir dos dados de cada município e zona eleitoral nos dois turnos. As estimativas sobre o voto dos demais candidatos e sobre o comparecimento vêm de dados agregados por lugar e indicam tendências, não o comportamento de eleitores individuais.

↓ O painel do resultado: mapa, estados e perfil do eleitorado · A apuração e a projeção ao vivo · Página inicial

Painel do resultado · totalização final do TSE

O 2º turno em números: país, estados e municípios

Os dois turnos lado a lado, unidade a unidade: 2º turno pela totalização do TSE de 25/10/2026 às 23:26:38 (100,0% das seções), 1º turno pela totalização final. Tudo o que aparece aqui é descritivo: compara lugares e grupos, não mede por que o voto mudou.

Votos válidos dados aos dois
51,8 × 48,2%
Lula × Flávio · 64,3 mi × 59,8 mi de votos
Diferença no 2º turno
4,43 mi
a favor de Lula; no 1º turno, 2,22 mi a favor de Flávio
Variação da margem
+5,6 pontos
de Flávio +2,0 no 1º turno para Lula +3,6 no 2º, entre os votos dados aos dois
Comparecimento
80,8%
+1,9 ponto em relação ao 1º turno (78,9%); 3,0 mi de votantes a mais
Mapa · 5.571 municípios

A margem de Lula subiu em 97% dos municípios; 211 trocaram de lado a favor dele e 1 no sentido oposto

Lula passou de 2.663 para 2.875 municípios vencidos. Em 160 municípios a margem andou na direção de Flávio. O mapa cruza quem venceu no 2º turno com o que mudou desde o 1º; os outros modos mostram a variação da margem, a margem final e a variação do comparecimento.

Trocou de Flávio para Lula
211 municípios
10,9 mi de eleitores
Lula venceu e ampliou
2.513 municípios
66,5 mi de eleitores
Lula venceu, por menos
151 municípios
1,5 mi de eleitores
Flávio venceu, por menos
2.687 municípios
78,9 mi de eleitores

Margem = Lula − Flávio, em pontos percentuais dos votos dados aos dois. “Variação da margem” = margem do 2º turno − margem do 1º turno: mostra o movimento, não quem venceu (um município pode ter a margem andando para Lula e Flávio ainda vencer lá). Comparecimento = votantes ÷ eleitorado apto. Boa Esperança do Norte (MT), instalado em 2025, entra nas contas mas não tem contorno próprio no mapa. Fonte: TSE, totalização de 25/10/2026 às 23:26:38 (100,0% das seções); 1º turno, totalização final do TSE.

Regiões e estados

Sudeste e Nordeste somaram 82% do saldo líquido de Lula entre os turnos; a maior variação foi no Rio de Janeiro (+8,5)

O saldo líquido é a variação de (votos de Lula − votos de Flávio) entre os turnos: +6,64 mi nas cinco regiões. São Paulo respondeu sozinho por +1,40 mi; Minas Gerais passou de Flávio +5,4 para Lula +0,9. O Nordeste, que já partia de margens acima de 30 pontos, variou menos em pontos e muito em votos.

Região1º turno2º turnoVariaçãoSaldo para LulaComparecimentoVar.Trocaram de lado
SudesteFlávio +12,8Flávio +5,5+7,3+2,86 mi77,3% → 79,7%+2,4120
NordesteLula +34,8Lula +38,7+3,9+2,56 mi81,6% → 83,5%+1,910
SulFlávio +31,5Flávio +25,2+6,4+466 mil79,5% → 81,8%+2,340
NorteFlávio +4,8empate+4,8+460 mil80,6% → 78,8%−1,821
Centro-OesteFlávio +26,8Flávio +20,0+6,8+300 mil78,3% → 79,9%+1,720 / 1

Os 27 estados

Toque no título de uma coluna para ordenar. “Margem subiu” = parcela dos municípios do estado em que a margem andou para Lula. “Trocaram de lado” = municípios que passaram de Flávio para Lula (e, depois da barra, no sentido oposto).

Estado1º turno2º turnoVariaçãoSaldo para LulaComparec.Var.Margem subiuTrocaram de lado
Rio de JaneiroFlávio +14,7Flávio +6,2+8,5+670 mil78,4%+1,7100%9
São PauloFlávio +15,2Flávio +7,7+7,5+1,40 mi80,2%+2,7100%32
GoiásFlávio +26,6Flávio +19,3+7,3+103 mil79,7%+1,597%14 / 1
AlagoasLula +15,0Lula +21,5+6,5+149 mil79,9%+0,599%7
Santa CatarinaFlávio +45,4Flávio +38,8+6,5+71 mil83,0%+2,0100%1
Mato Grosso do SulFlávio +25,6Flávio +19,2+6,4+58 mil78,8%+2,6100%4
ParanáFlávio +31,5Flávio +25,2+6,4+166 mil82,0%+2,599%20
RoraimaFlávio +51,3Flávio +44,9+6,4+21 mil76,9%−6,0100%0
Distrito FederalFlávio +14,8Flávio +8,6+6,2+80 mil82,7%+1,6100%0
Minas GeraisFlávio +5,4Lula +0,9+6,2+698 mil79,7%+2,598%76
Rio Grande do SulFlávio +21,8Flávio +15,7+6,1+229 mil80,8%+2,299%19
Mato GrossoFlávio +38,1Flávio +32,1+6,0+60 mil79,1%+1,3100%2
AmapáLula +0,1Lula +5,8+5,7+24 mil74,5%−8,1100%2
Espírito SantoFlávio +18,4Flávio +12,7+5,7+91 mil80,5%+1,9100%3
AcreFlávio +38,4Flávio +33,1+5,3+25 mil73,9%−5,696%0
RondôniaFlávio +44,5Flávio +39,2+5,3+22 mil78,1%−0,2100%0
ParaíbaLula +29,9Lula +34,9+5,0+219 mil84,5%+1,8100%0
Rio Grande do NorteLula +26,4Lula +31,4+5,0+159 mil83,9%+2,399%1
SergipeLula +34,4Lula +39,1+4,7+118 mil84,3%+1,6100%0
TocantinsFlávio +7,5Flávio +2,7+4,7+40 mil80,8%−0,999%11
AmazonasLula +3,5Lula +8,0+4,6+100 mil78,3%−1,5100%3
ParáLula +5,7Lula +10,0+4,3+227 mil79,7%−1,299%5
MaranhãoLula +34,9Lula +39,1+4,2+251 mil79,6%−0,6100%1
PernambucoLula +34,3Lula +38,4+4,1+469 mil84,8%+3,098%0
CearáLula +33,9Lula +37,9+4,0+418 mil86,1%+1,695%1
BahiaLula +39,7Lula +42,6+2,9+654 mil83,3%+3,379%0
PiauíLula +49,3Lula +51,8+2,4+121 mil82,8%0,091%0

Margens em pontos percentuais dos votos dados aos dois candidatos. Comparecimento do 2º turno e variação em relação ao 1º, em pontos. O exterior entra só no resultado do país.

Onde a margem mais mudou

A margem andou mais onde Flávio era mais forte no 1º turno (+7,1 pontos) do que onde Lula era (+3,0), e mais nas cidades médias e grandes

Variação média da margem, ponderada pelo eleitorado. Nos municípios em que Flávio venceu por 30 pontos ou mais no 1º turno, a margem andou +7,1 pontos para Lula; naqueles em que Lula venceu por 30 ou mais, +3,0. O desenho é o oposto do que se veria se a variação viesse sobretudo de mobilizar redutos.

Pela margem do 1º turno no município
Flávio +30 ou mais+7,1 ptsFlávio +10 a +30+7,4 ptsFlávio até +10+6,7 ptsLula até +10+5,9 ptsLula +10 a +30+5,0 ptsLula +30 ou mais+3,0 pts
Pelo tamanho do eleitorado
Até 10 mil eleitores+4,3 pts10 a 50 mil+5,0 pts50 a 200 mil+6,8 pts200 mil a 1 milhão+7,0 ptsMais de 1 milhão+6,1 pts

Os 211 municípios que passaram de Flávio para Lula

Somam 10,9 mi de eleitores. Os maiores: Rio de Janeiro (RJ), Osasco (SP), Ananindeua (PA), Macapá (AP), São Vicente (SP), Ribeirão das Neves (MG), Cotia (SP), Araraquara (SP), Santa Luzia (MG), Alvorada (RS), Ibirité (MG), Sapucaia do Sul (RS), Sabará (MG), Poá (SP), Bagé (RS), Ribeirão Pires (SP). No sentido oposto, 1 município (Uirapuru (GO)).

Maior variação, entre os municípios com mais de 100 mil eleitores

MunicípioEleitores1º turno2º turnoVariação
Campos dos Goytacazes RJ370.466Flávio +27,7Flávio +15,8+11,9
Belford Roxo RJ346.172Flávio +22,4Flávio +12,3+10,0
Itaboraí RJ177.920Flávio +18,2Flávio +8,4+9,8
São João de Meriti RJ340.128Flávio +21,2Flávio +11,5+9,7
Nova Iguaçu RJ614.931Flávio +27,7Flávio +18,0+9,7
Bragança Paulista SP131.308Flávio +39,1Flávio +29,6+9,5
Atibaia SP119.210Flávio +35,1Flávio +25,5+9,5
Duque de Caxias RJ634.694Flávio +19,9Flávio +10,4+9,5
Sete Lagoas MG167.416Flávio +22,8Flávio +13,3+9,4
Araruama RJ111.370Flávio +39,0Flávio +29,6+9,4

Menor variação, no mesmo grupo

MunicípioEleitores1º turno2º turnoVariação
Cametá PA106.190Lula +55,3Lula +56,4+1,1
Abaetetuba PA123.890Lula +49,9Lula +51,1+1,2
Itapipoca CE103.228Lula +48,2Lula +50,6+2,4
Barcarena PA102.889Lula +26,9Lula +30,1+3,2
Alagoinhas BA114.417Lula +40,4Lula +43,9+3,5
Camaçari BA210.762Lula +33,7Lula +37,5+3,7
Teresina PI592.974Lula +32,1Lula +36,0+3,9
Jequié BA119.040Lula +25,8Lula +29,7+3,9
Juazeiro BA165.666Lula +32,9Lula +36,9+4,0
Cabo de Santo Agostinho PE172.140Lula +40,3Lula +44,3+4,1
Perfil do eleitorado · correlação, não causa

Nas pesquisas, quem mais se moveu foram os jovens, os homens e quem tem ensino médio; no mapa, a margem andou mais onde há mais eleitores de 25 a 44 anos

Não existe resultado de urna por idade, sexo ou renda. Há duas formas indiretas de olhar: as pesquisas, que acompanham amostras das mesmas faixas ao longo da campanha, e o perfil do eleitorado de cada município e zona eleitoral, que diz onde cada grupo pesa mais. As duas respondem a perguntas diferentes e não precisam coincidir.

Nas pesquisas: variação da margem de Lula no Datafolha, de 7/10 a 22/10 de outubro

Como ler. Margem = Lula − Flávio no recorte, em pontos; a barra mostra quanto ela mudou entre a primeira e a última rodada do Datafolha no 2º turno. As pesquisas subestimaram Lula no resultado final: servem para ver a direção do movimento, não o tamanho. A margem de erro de cada recorte vai de 3 a 6 pontos, e diferenças pequenas não se distinguem de zero.
Sexo
Feminino−1,0Masculino+6,0
Idade
16 a 24+12,025 a 34+7,035 a 44−7,045 a 59+2,060 ou mais+1,0
Escolaridade
Fundamental−1,0Médio+9,0Superior−5,0
Renda familiar
Até 2 SM+4,02 a 5 SM+3,0Mais de 5 SM+2,0
Religião
Católica+4,0Evangélica+1,0
Região
Sudeste−2,0Sul−2,0Nordeste+9,0Centro-Oeste/Norte+9,0
Cor
Branca+8,0Parda0,0Preta+1,0
Identificação política
Bolsonaristas−3,0Não alinhados+5,0Petistas+2,0

No mapa do eleitorado: o que muda a cada 10 pontos a mais do grupo no eleitorado do lugar

Como ler. Regressão sobre 6.106 municípios e zonas eleitorais, ponderada pelo eleitorado, comparando lugares do mesmo estado e com a mesma margem no 1º turno. O traço é o intervalo de 95%; em cinza, o que não se distingue de zero. É inferência ecológica: descreve como os lugares se comportaram, não como as pessoas de cada grupo votaram. Lugares com mais homens, por exemplo, são em média mais rurais, e isso pesa no resultado.
Variação da margem (pontos)
16 a 24 anos+1,625 a 34 anos+3,235 a 44 anos+3,345 a 59 anos+1,560 anos ou mais−1,6Homens−2,0Ensino superior−0,5Até o fundamental−0,1Evangélicos (Censo 2022)+0,3Católicos (Censo 2022)−0,3Sem religião (Censo 2022)+0,9
Variação do comparecimento (pontos)
16 a 24 anos−1,325 a 34 anos−0,235 a 44 anos+0,945 a 59 anos+1,560 anos ou mais+0,1Homens−2,8Ensino superior+0,1Até o fundamental−0,2Evangélicos (Censo 2022)−0,2Católicos (Censo 2022)−0,1Sem religião (Censo 2022)+0,3

Lugares com mais eleitores de 25 a 44 anos tiveram variação maior da margem (+3,2 e +3,3 ponto a cada 10 pontos do grupo); com mais eleitores de 60 anos ou mais, menor (−1,6). Onde há mais homens, a margem andou menos (−2,0) e o comparecimento subiu menos (−2,8), embora o Datafolha mostre os homens, como pessoas, se aproximando de Lula. Fontes: perfil do eleitorado de 2026 por município e zona (TSE); religião pelo Censo 2022 (IBGE); Datafolha, recortes publicados pelo g1.

Comparecimento

O comparecimento subiu +1,9 ponto, para 80,8%, mas a variação da margem quase não acompanha a do comparecimento

Votaram 3,0 mi de eleitores a mais do que no 1º turno, e o comparecimento subiu em 80% dos municípios. Caiu no Norte (−1,8), sobretudo em Amapá (−8,1), Roraima (−6,0), Acre (−5,6). Entre municípios e zonas eleitorais, a correlação entre a variação da margem e a do comparecimento é de 0,11: a mudança de margem veio sobretudo de eleitores que mudaram de voto ou que tinham votado em outro candidato no 1º turno, e não de quem tinha deixado de votar.

Variação do comparecimento entre os turnos, por estado (pontos)
Bahia+3,3Pernambuco+3,0São Paulo+2,7Mato Grosso do Sul+2,6Paraná+2,5Minas Gerais+2,5Rio Grande do Norte+2,3Rio Grande do Sul+2,2Santa Catarina+2,0Espírito Santo+1,9Paraíba+1,8Rio de Janeiro+1,7Distrito Federal+1,6Sergipe+1,6Ceará+1,6Goiás+1,5Mato Grosso+1,3Alagoas+0,5Piauí0,0Rondônia−0,2Maranhão−0,6Tocantins−0,9Pará−1,2Amazonas−1,5Acre−5,6Roraima−6,0Amapá−8,1
Método e fontes

Como as contas foram feitas

Resultado. TSE, totalização de 25/10/2026 às 23:26:38 (100,0% das seções), lida pelo coletor da apuração do Placar 2026, por município e, nos municípios que o TSE divulga por zona, por zona eleitoral. 1º turno: totalização final do TSE, por seção, agregada nas mesmas unidades. 5.571 municípios; o exterior entra só no total nacional. O editorial acima e este painel usam a mesma totalização.

Margem e variação. Margem = (Lula − Flávio) ÷ (Lula + Flávio), em pontos percentuais, para que os dois turnos sejam comparáveis. Variação = margem do 2º turno − margem do 1º. Saldo para Lula = variação de (votos de Lula − votos de Flávio). Médias por faixa ponderadas pelo eleitorado do 1º turno. Comparecimento = votantes ÷ eleitorado apto em cada turno.

Perfil do eleitorado. Idade, sexo e escolaridade do eleitorado de 2026 por município e zona (TSE, perfil do eleitorado); religião pelo Censo 2022 (IBGE), por município. Para cada grupo, regressão da variação (da margem ou do comparecimento) sobre a participação do grupo no eleitorado, com efeito fixo de estado e controle da margem do 1º turno, ponderada pelo eleitorado, com erro-padrão robusto (HC1). Inferência ecológica: diz como os lugares se comportaram, não como os indivíduos votaram.

Pesquisas. Recortes do Datafolha nas rodadas de 2º turno, compilados pelo Placar 2026 a partir dos infográficos publicados (Datafolha, recortes publicados pelo g1).

Dados. resultado_2turno.json (país, regiões, estados, faixas, perfil) e resultado-2turno-mun.json (por município: UF, nome, eleitorado, margem e comparecimento nos dois turnos).

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