Agregador ponderado · modelo probabilístico · Eleição presidencial 2026

Placar 2026

Análise dos votos do 1º e do 2º turno: o que deu a vitória a Lula. A apuração, a projeção e a previsão estão na página inicial.
Atualizado em
26 out 2026 · 100% das seções
1º turno 04 out · 2º turno 25 out
Daniel Pessini Sobreira · modelo, dados e painel
Análise · Placar 2026 · os votos do 1º e do 2º turno

O que deu a vitória a Lula

Lula terminou o 1º turno 2,22 mi de votos atrás de Flávio Bolsonaro e venceu o 2º por 4,43 mi. A diferença entre os dois andou 6,66 mi de votos. Quase nada disso veio de eleitores de Flávio que mudaram de lado, e pouco veio, no saldo, dos eleitores dos candidatos eliminados. A virada veio sobretudo de quem não tinha escolhido ninguém para presidente no 1º turno: quem votou em branco, anulou ou não foi votar.

Daniel Pessini Sobreira · 26 de outubro de 2026, atualizada em 27/10 · totalização final do TSE nos dois turnos (100% das seções)

  1. +6,3 miBrancos, nulos e quem faltou no 1º turno: a maior parte da virada, pela estimativa (entre 6,0 mi e 6,5 mi, conforme o método).
  2. +0,3 miEleitores de Cury, Renan, Caiado e Zema: os de Cury foram mais para Lula, os de Caiado e Zema mais para Flávio. No saldo, quase empate (entre +0,12 mi e +0,44 mi).
  3. ≈ 0Trocas diretas: Lula e Flávio mantiveram cerca de 99% de quem votou neles no 1º turno, e as trocas entre os dois se anularam (saldo de +0,09 mi a +0,15 mi).

1 · A conta exata

Entraram 14,1 mi de votos novos para os dois. Lula ficou com 74%

Do 1º para o 2º turno, Lula ganhou 10,38 mi de votos e Flávio, 3,72 mi. Esses 14,10 mi de votos a mais têm só três origens possíveis, e a soma fecha com os totais do TSE:

9,32 mivotos dos candidatos eliminados no 1º turno (Augusto Cury 3,45 mi, Renan Santos 2,68 mi, Ronaldo Caiado 2,61 mi, Zema e outros 0,59 mi)
1,82 mibrancos e nulos a menos: 5,97 mi no 1º turno, 4,15 mi no 2º
2,96 mivotantes a mais: o comparecimento passou de 125,3 mi para 128,2 mi
73,6%desses votos novos ficaram com Lula. Para virar, ele precisava de 57,9%

Essa conta é exata, mas é de saldo: ela não separa quem trocou de candidato de quem estava indeciso. Um eleitor de Flávio que passou a votar em Lula e um de Lula que passou a votar em Flávio se anulam nela. Para saber de onde vieram os votos, é preciso olhar como cada lugar mudou, e é isso que as próximas seções fazem.

2 · De onde veio a virada

Da margem do 1º turno à do 2º, grupo por grupo

O gráfico parte da desvantagem de Lula no 1º turno (−2,22 mi) e soma o que cada grupo de eleitores do 1º turno acrescentou à diferença entre os dois no 2º. As contribuições vêm de uma inferência ecológica (explicada no método): para cada região, estimamos que parte de cada grupo do 1º turno foi para Lula, para Flávio, para o branco ou nulo e para a abstenção, usando as 497.897 seções eleitorais do país. Passe o cursor numa barra para ver o intervalo.

Carregando o gráfico…

Os brancos e nulos do 1º turno são o maior bloco: +3,83 mi na diferença (de 3,65 mi na estimativa por estado a 3,93 mi). Uma explicação possível é que parte deles não marcou presidente no 1º turno, quando a urna pedia seis votos, e marcou Lula no 2º, quando eram um ou dois. Os brancos e nulos do 1º turno eram mais frequentes nos municípios de margem intermediária e favoráveis a Lula (correlação de 0,31 com a margem dele). Pela estimativa, 65% deles votaram em Lula, 1% em Flávio e 34% votaram em branco ou anularam de novo.

Quem não votou no 1º turno vem depois: +2,43 mi (2,42 mi a 2,65 mi). A grande maioria dos faltosos faltou de novo (88%), mas, dos que apareceram, quase todos votaram em Lula (9,1% do grupo inteiro foi para Lula e 1,8% para Flávio).

Os eleitores dos eliminados se dividiram. Os de Augusto Cury deram +0,84 mi a Lula, e os de Renan Santos, +0,05 mi (até +0,14 mi na conta por estado). Os de Ronaldo Caiado tiraram 0,49 mi, e os de Zema e dos demais, 0,14 mi. No total, os eliminados renderam a Lula +0,27 mi, pouco perto dos 6,66 mi da virada. As trocas diretas entre os dois deram saldo de +0,09 mi, praticamente zero.

Quanto confiar nesses números. A inferência ecológica estima o comportamento de grupos a partir de resultados por lugar, não de pessoas, e pode errar. Até 26/10, esta conta usava as 6.106 cidades e zonas eleitorais, porque o resultado do 2º turno por seção ainda não tinha sido publicado. Na mesma conta feita para 2022, quando há resultados por seção nos dois turnos, a versão por cidade e zona errou as contribuições em até 0,9 mi em relação à versão com 470.977 seções, e exagerou o papel dos brancos e nulos (−1,9 mi contra −1,1 mi com seções). Com as seções de 2026, publicadas pelo TSE em 26/10, aconteceu o mesmo: o bloco dos brancos e nulos passou de +4,5 mi para +3,8 mi, e os intervalos ficaram mais estreitos. Brancos, nulos e quem faltou continuam sendo a maior fonte da virada, mas o tamanho exato de cada bloco deve ser lido como faixa, e não como número fechado.

3 · Transferências de voto

Para onde foi, no 2º turno, cada voto do 1º

Cada barra é um grupo de eleitores do 1º turno, dividido pelo que fez no 2º: Lula, Flávio, branco ou nulo, ou não votou. Troque a região para ver como o mesmo grupo se comportou em cada parte do país.

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No país, os eleitores de Augusto Cury (3,44 mi) foram 54% para Lula, 29% para Flávio e 16% para o branco ou nulo. No Sul, a divisão se inverte: 42% foram para Flávio. Os de Ronaldo Caiado (2,60 mi) foram 52% para Flávio e 33% para Lula, com exceção do Nordeste, onde 54% votaram em Lula. Os de Renan Santos (2,67 mi) se dividiram quase ao meio (40% Lula, 38% Flávio).

Uma parte dos eleitores dos eliminados, de 13% a 18% entre os de Cury, Renan e Caiado, não escolheu nenhum dos dois e votou em branco ou anulou. É por isso que os brancos e nulos caíram tão pouco (1,82 mi): a maioria dos do 1º turno foi para Lula, e o lugar deles foi ocupado em parte por eleitores dos eliminados.

Estimativas por região, com intervalo de 90% por bootstrap de municípios (200 reamostragens), ao passar o cursor em cada trecho. Grupos pequenos (Zema e outros, 0,59 mi) têm estimativas instáveis.

4 · Onde a virada aconteceu

Dois terços do ganho saíram das grandes cidades

Aqui não há estimativa: é a variação, município a município, da diferença de votos entre Lula e Flávio, somada. O Sudeste respondeu por 2,86 mi (43%) e o Nordeste por 2,56 mi (39%) dos 6,64 mi de ganho líquido de Lula.

Sudeste+2,86 mi 43%
Nordeste+2,56 mi 39%
Sul+0,47 mi 7%
Norte+0,46 mi 7%
Centro-Oeste+0,30 mi 5%

Para olhar além das regiões, agrupamos os 5.542 municípios pelo perfil político e social (margem e votos em terceiros no 1º turno, virada, variação do comparecimento, escolaridade, religião, idade, renda e porte), com o método k-médias. Os 5 tipos que saíram (silhueta de 0,24, o que indica grupos que se sobrepõem, e não fronteiras nítidas) mostram onde a virada pesou em votos: as 940 grandes cidades e polos regionais, com 104,5 mi de eleitores, deram 4,36 mi do ganho líquido, 66% do total.

Grandes cidades e polos regionais+4,36 mi 66% · 940 municípios
Nordeste em que Lula já vencia com folga+1,48 mi 22% · 1.803 municípios
Interior onde Flávio liderava+0,38 mi 6% · 2.006 municípios
Norte e Nordeste jovem, com queda no comparecimento+0,34 mi 5% · 564 municípios
Goiás e entorno do DF, voto alto em Caiado+0,08 mi 1% · 229 municípios
Tipo (maiores cidades)MunicípiosEleitoresMargem 1º → 2ºViradaCompar.Terceiros 1º t.SuperiorEvangélicosGanho de Lula
Grandes cidades e polos regionaisSão Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG)940104,5 mi−13,5 → −6,6+6,9+2,28,9%20,7%28,6%+4,36 mi
Nordeste em que Lula já vencia com folgaJuazeiro do Norte (CE), Juazeiro (BA), Timon (MA), Nossa Senhora do Socorro (SE)1.80326,9 mi+44,7 → +47,7+3,0+2,04,5%8,0%17,8%+1,48 mi
Interior onde Flávio lideravaItamaraju (BA), Diamantina (MG), Santos Dumont (MG), São Francisco do Conde (BA)2.00614,1 mi−20,9 → −15,4+5,5+2,26,6%11,9%23,2%+0,38 mi
Norte e Nordeste jovem, com queda no comparecimentoSão José de Ribamar (MA), Cametá (PA), Barcarena (PA), Bragança (PA)5649,3 mi+16,8 → +21,2+4,4−2,84,6%7,7%33,7%+0,34 mi
Goiás e entorno do DF, voto alto em CaiadoAparecida de Goiânia (GO), Luziânia (GO), Águas Lindas de Goiás (GO), Valparaíso de Goiás (GO)2292,9 mi−19,4 → −12,5+6,9+1,415,8%13,6%32,5%+0,08 mi

Médias ponderadas pelo eleitorado. Margem e virada em pontos percentuais dos votos dados a Lula e Flávio; comparecimento, variação em pontos; terceiros, % dos votos válidos do 1º turno. No país: margem −2,6 → +3,4, virada +6,0, superior 16,9%, evangélicos 26,6%.

5 · O que explica a virada

A virada foi maior onde havia mais voto sem dono e mais jovens

Para separar os fatores, fizemos uma regressão da virada de cada município (pontos que a margem de Lula andou) contra o voto no 1º turno, o perfil do eleitorado, a religião, a renda, o porte e a região. Todas as variáveis estão padronizadas: cada ponto mostra quantos pontos a mais (ou a menos) de virada acompanham um desvio-padrão a mais da variável, com as outras fixas. O modelo ponderado pelo eleitorado explica 70% da variação entre municípios.

Carregando o gráfico…

Quanto cada grupo de fatores explica

Divisão do R² pelo valor de Shapley (média da contribuição de cada grupo em todas as ordens de entrada no modelo).

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Mínimos quadrados ponderados pelo eleitorado do 1º turno, com erro-padrão robusto (HC3), 5.542 municípios (os que têm todas as variáveis). Correlações entre lugares não dizem como cada pessoa votou nem provam causa. A versão sem peso e o modelo com erro espacial (seção 6) aparecem no mesmo gráfico.

6 · Análise espacial

A virada tem geografia: I de Moran de 0,56

Municípios vizinhos viraram de forma parecida. O I de Moran global, que vai de −1 (vizinhos opostos) a +1 (vizinhos iguais) e fica perto de zero quando não há padrão, é de 0,56 para a virada (z = 88, p < 0,001 em 999 permutações). Os vizinhos de cada município são os 8 mais próximos. O mapa mostra os tipos de município, os agrupamentos locais (LISA) e os pontos quentes do ganho de Lula (Getis-Ord Gi*).

Tipos de município

Carregando o mapa…

Clique num município para ver os números.

Agrupamentos locais (LISA)

O Moran local testa, município a município, se o lugar e seus vizinhos formam um bloco. Há 1.149 municípios alto-alto (virada grande cercada de virada grande), com 70,8 mi de eleitores, sobretudo no interior de São Paulo, em Minas, no Rio, em Goiás e em Santa Catarina, onde Flávio era forte e perdeu terreno. Os 1.125 baixo-baixo (18,3 mi de eleitores) ficam sobretudo na Bahia, no Piauí, no norte de Minas e no sertão: lugares em que Lula já tinha quase todos os votos e a margem andou pouco.

Pontos quentes do ganho de Lula (Gi*)

O Gi* olha outra coisa: onde o ganho líquido de Lula, medido em proporção do eleitorado, se concentra. Os 1.402 municípios em pontos quentes (95% ou 99%), com 63,5 mi de eleitores, somaram 3,69 mi do ganho líquido. Eles estão nas regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio e em boa parte do litoral e do agreste do Nordeste. Os 1.337 pontos frios ficam no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná, em Goiás e em Mato Grosso, e também em boa parte do Amazonas, do Pará e de Rondônia, onde o comparecimento caiu.

Diagrama de Moran

Cada ponto é um município: no eixo horizontal, a sua virada; no vertical, a média dos seus 8 vizinhos, ambos padronizados. A inclinação da reta é o I de Moran. As cores são as do LISA.

O diagrama aparece junto com o mapa.

Autocorrelação de outras variáveis

VariávelI de MoranzpC de Geary
Virada (margem do 2º − margem do 1º turno)0,5688< 0,0010,44
Margem de Lula no 1º turno0,90138< 0,0010,11
Margem de Lula no 2º turno0,90144< 0,0010,11
Variação do comparecimento0,71112< 0,0010,29
Votos em terceiros no 1º turno0,80126< 0,0010,21
Ganho líquido de Lula (% do eleitorado)0,67104< 0,0010,34
Evangélicos (Censo 2022)0,65101< 0,0010,36
Eleitores com ensino superior0,5384< 0,0010,46

C de Geary abaixo de 1 indica vizinhos parecidos. Pesos de 8 vizinhos mais próximos, padronizados na linha; p por 999 permutações.

Os fatores resistem à geografia?

Os resíduos da regressão da seção 5 ainda têm autocorrelação (I de Moran de 0,29): parte da virada se explica por proximidade, não pelas variáveis medidas. Por isso estimamos também um modelo de erro espacial. Ele absorve essa dependência (λ = 0,64; o I de Moran dos resíduos cai para −0,03) e se ajusta melhor (AIC de 20.452 contra 21.687 da regressão comum; o modelo de defasagem espacial fica em 20.662). Os principais fatores mantêm sinal e significância: margem do 1º turno (−1,79), brancos e nulos (+0,41), Cury (+0,15), Caiado (+0,18), jovens (+0,17) e homens (−0,35). O PIB por habitante perde força (+0,08, contra +0,27 sem o termo espacial).

O Moran bivariado mostra que a virada de um município pouco tem a ver com a variação do comparecimento nos vizinhos (I = 0,06) e mais com a fatia de evangélicos ao redor (I = 0,23). Esta segunda associação some quando os outros fatores entram no modelo: ela reflete a geografia (interior do Sudeste e do Centro-Oeste) e não um efeito da religião.

7 · As pesquisas e a hipótese Tinoco

O erro das pesquisas e a hipótese Tinoco

Nenhum dos instrumentos que acompanhavam a eleição antecipou a dimensão da virada. Na véspera, a média das pesquisas dava Flávio 1,1 ponto à frente na margem; Lula venceu por 3,6. As pesquisas subestimaram Lula em cerca de 4,7 pontos de margem, um viés forte e no mesmo sentido. O Polymarket dava 20,5% a Lula na manhã do domingo e este Placar, 18%. O resultado ficou acima do limite superior do intervalo de 95% do modelo.

No 1º turno, o erro tinha ido para o outro lado, e de um jeito particular:

1º turno, % dos válidosMédia final das pesquisasResultadoDiferença
Lula45,845,16−0,6
Flávio43,147,03+3,9
Demais candidatos11,07,8−3,2

As pesquisas acertaram Lula e erraram Flávio quase exatamente pelo que os candidatos menores perderam. A leitura mais comum, e a que este Placar usava até então, era tratar isso como um viés das pesquisas contra Flávio que se repetiria no 2º turno: o modelo transferia 25% do erro do 1º turno para as pesquisas do 2º.

A hipótese Tinoco. Em 22 de outubro, Tinoco, com quem discutimos amplamente a modelagem dos dados deste Placar ao longo da campanha, propôs outra leitura: o erro do 1º turno não era um viés persistente, era voto útil. Eleitores dos candidatos menores migraram para Flávio na reta final, depois das últimas pesquisas. Se fosse isso, o erro não se repetiria no 2º turno, porque esse movimento já tinha acontecido, e o modelo não deveria herdá-lo. O Placar adotou a revisão (versão 56): a herança do erro do 1º turno caiu de 25% para zero, e a chance de Lula passou de 15% para 21% (26% na variante que considera a direção das últimas ondas), quase uma em quatro.

Os votos confirmam a hipótese. A seção 3 mostra que, no 2º turno, os eleitores dos eliminados não foram em bloco para Flávio: os de Cury foram mais para Lula, os de Caiado e Zema mais para Flávio, e o saldo ficou em +0,27 mi para Lula. Flávio manteve cerca de 99% dos seus eleitores e cresceu 3,72 mi, bem menos que Lula. O voto útil de que ele se beneficiou já estava contado no 1º turno. Sem a hipótese Tinoco, o modelo teria errado ainda mais. Com ela, errou menos, mas errou: o viés das pesquisas no 2º turno foi contra Lula, e mais forte do que qualquer correção previa.

O que as pesquisas não captaram foi, pelas contas desta análise, o grupo que decidiu a eleição: quem não escolheu presidente no 1º turno, votando em branco, anulando ou faltando, e escolheu Lula no 2º. Por que esse grupo escapou das pesquisas não dá para saber com os dados de urna. Fica como hipótese para os institutos e para este Placar verificarem.

Fontes: o editorial e o método deste Placar (histórico de versões, v56 de 22/10/2026); resultado do TSE.

8 · Conclusão

Então, o que deu a vitória a Lula?

  1. Quem não tinha escolhido ninguém. A virada de 6,66 mi na diferença veio, em sua maior parte, de eleitores que no 1º turno votaram em branco, anularam ou não foram votar, e que no 2º votaram em Lula. Pela estimativa, esse grupo deu entre 6,0 mi e 6,5 mi à diferença.
  2. Não foi troca de lado. Quase todos os eleitores de Lula e de Flávio repetiram o voto. A campanha de Flávio não perdeu a base; ela não conseguiu crescer o suficiente fora dela.
  3. Os eliminados empataram. Os votos de Cury pesaram para Lula, os de Caiado e Zema para Flávio. Somados, quase se anularam. Com 74% dos votos novos, Lula ficou muito acima dos 58% de que precisava.
  4. A virada foi urbana e do Sudeste. As grandes cidades e os polos regionais deram 66% do ganho líquido. O Sudeste virou mais do que o perfil dos seus municípios previa, e o Nordeste, onde Lula já vencia, ampliou a vantagem.
  5. As pesquisas erraram, e a hipótese Tinoco apontou a direção certa. A média das pesquisas subestimou Lula em cerca de 4,7 pontos de margem. A hipótese Tinoco, de que o erro do 1º turno foi voto útil e não se repetiria, foi confirmada pela divisão dos votos dos eliminados e levou o Placar de 15% para 21% de chance de Lula.
  6. Jovens, mulheres e voto sem dono. Com tudo o mais fixo, a virada foi maior onde o eleitorado é mais jovem e mais feminino e onde havia mais brancos, nulos e votos em terceiros no 1º turno. Religião, escolaridade e renda explicam pouco depois desses fatores.

Esta análise descreve lugares, não pessoas: não diz por que cada eleitor decidiu, e não mede o efeito de nenhuma campanha. Para o resultado por região, estado e município, veja o editorial e o painel do resultado.

Método, limites e dados

Como fizemos as contas

1º turno de 2022→ Lula→ Bolsonaro→ Branco/nulo→ Não votouContribuição à virada
Lula97% / 99%0% / 0%1% / 0%2% / 1%−1,58 mi / −0,65 mi
Bolsonaro0% / 0%100% / 100%0% / 0%0% / 0%0,00 mi / 0,00 mi
Outros candidatos37% / 38%43% / 41%18% / 18%2% / 3%−0,59 mi / −0,33 mi
Branco ou nulo9% / 0%29% / 35%60% / 65%2% / 0%−1,06 mi / −1,89 mi
Não votou2% / 0%4% / 3%1% / 0%93% / 96%−0,67 mi / −1,07 mi

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