O país das bolhas
Quanto o eleitor de Lula e o de Flávio Bolsonaro vivem separados, rua a rua? Medimos a vizinhança de cada local de votação do país em três eleições presidenciais, usando o método que Brown e Enos aplicaram a 180 milhões de eleitores americanos. O resultado contraria a intuição de um país dividido em bolhas: a separação entre vizinhos caiu desde 2018, quase toda ela é regional, e a virada de 2026 não parou na fronteira das vizinhanças mais fechadas. O que separa os brasileiros, dentro das cidades, é menos a distância e mais o muro.
Daniel Pessini Sobreira · 29 de outubro de 2026 · votação por seção e locais de votação do TSE (2018, 2022 e 2026), perfil do eleitorado por seção, população do IBGE
- 15,9 → 9,7pontos de isolamento entre o eleitor do PT e o da direita, do 2º turno de 2018 ao de 2026.
- 85%da separação está entre estados e entre cidades. Só 15% está entre vizinhos da mesma cidade.
- −1,0ponto de virada numa vizinhança fechada de Lula, com o mesmo perfil e o mesmo ponto de partida. Na escala que desconta o teto, nada.
No 2º turno de 2026, Lula teve 77,5% dos votos dados aos dois candidatos na escola municipal Nossa Senhora de Fátima, no Bom Jesus, em Porto Alegre. A 1,8 quilômetro dali, no Colégio Farroupilha, em Três Figueiras, teve 30,1%. Em São Paulo, o CEU Paraisópolis deu 74,2% a Lula; um colégio do Jardim Morumbi, a 1,2 quilômetro, deu 37,3%. Em Salvador, 82,4% na Santa Cruz e 47,2% no Itaigara, a 1,5 quilômetro. Cenas assim alimentam a ideia de um país partido em bolhas que não se tocam. Esta análise pergunta quanto isso é verdade, e se piorou.
Por que a vizinhança importa
A opinião política não se forma no vazio. Desde os estudos de Huckfeldt e Sprague (1995) em South Bend, sabe-se que o eleitor absorve informação e preferências das conversas com quem está por perto, e que o bairro molda essas conversas. Mutz (2006) mostrou o outro lado da moeda: quem convive com quem pensa diferente tolera mais, mas também hesita mais e participa menos. A hipótese do contato, de Allport (1954), testada em mais de 500 estudos por Pettigrew e Tropp (2006), diz que o convívio entre grupos reduz o preconceito. Se o eleitor de Lula e o de Flávio moram em mundos separados, cada um desses mecanismos trabalha a favor da polarização.
Nos Estados Unidos, essa preocupação ganhou um nome, the big sort: a tese de Bishop e Cushing (2008) de que os americanos estariam se mudando para perto de quem vota como eles. A tese foi contestada. Mummolo e Nall (2017) mostraram que, quando se mudam, as pessoas pesam preço, segurança e tempo de deslocamento muito mais que a política do bairro. Martin e Webster (2020) calcularam que a preferência partidária na escolha da casa é cerca de cinco vezes pequena demais para produzir a separação observada, o que sugere que os vizinhos se parecem porque se influenciam, e não só porque se escolhem. Mesmo assim, a separação existe e cresceu: Johnston, Manley e Jones (2016) a documentam entre condados de 1992 a 2012, e Kaplan, Spenkuch e Sullivan (2022) mostram um aumento forte desde meados do século XX.
No Brasil, a geografia do voto presidencial foi estudada sobretudo entre municípios e estados. Soares e Terron (2008) e Zucco (2008) mostraram como a reeleição de Lula, em 2006, deslocou a base do PT para os municípios mais pobres do Norte e do Nordeste; Terron e Soares (2010) chamaram de "divórcio" a separação entre os territórios de Lula e os do PT. Alkmim e Terron (2022) concluíram que o país é polarizado do ponto de vista eleitoral, com padrões territoriais marcados. O que ninguém tinha medido é a escala da rua: com quem cada eleitor divide o bairro. É o que os dados do TSE permitem agora, porque o cadastro dos locais de votação traz a latitude e a longitude de quase todas as escolas onde se vota.
Este texto percorre quatro escalas, da maior para a menor: as cinco regiões, os 27 estados, os 5.570 municípios e, dentro das cidades, os locais de votação. Em cada uma, a pergunta é a mesma, quanto o eleitor de um lado vive perto do outro, e a ferramenta muda conforme a escala. É a forma de lidar com uma advertência antiga da geografia: a separação que se vê depende da lente com que se olha (OPENSHAW, 1984; REARDON; O'SULLIVAN, 2004).
A vizinhança de cada local de votação
A unidade é o prédio onde se vota: 91.810 locais em 2026, com a votação somada de todas as seções que funcionam ali. Para cada um, definimos a vizinhança como os locais mais próximos, sem contar o próprio, até juntar 10 mil votos dados a Lula ou a Flávio (ou a Haddad e Bolsonaro em 2018, e a Lula e Bolsonaro em 2022). Numa capital, isso é um raio de um ou dois quilômetros; no interior pouco povoado, pode passar de 20. O raio mediano em 2026 foi de 5,9 km.
A medida principal é a que Brown e Enos (2021) chamam de isolamento, e que a sociologia urbana conhece como a diferença entre os índices de exposição (MASSEY; DENTON, 1988): a parcela de votos do PT na vizinhança do eleitor típico do PT, menos a mesma parcela na vizinhança do eleitor típico da direita. Se os dois vivessem misturados ao acaso, a diferença seria zero. Se vivessem em mundos totalmente separados, seria 100.
Toda medida de segregação depende do tamanho da unidade escolhida, o problema da unidade de área modificável de Openshaw (1984). Por isso repetimos a conta com vizinhanças de 2,5 mil, 25 mil e 100 mil votos e com raios fixos de 1, 2 e 5 km, seguindo a recomendação de Reardon e O'Sullivan (2004) de medir a segregação em várias escalas. Os níveis mudam pouco, e a ordem entre as eleições não muda em nenhuma delas.
| Vizinhança | 2018, 2º turno | 2022, 2º turno | 2026, 1º turno | 2026, 2º turno |
|---|---|---|---|---|
| 10 mil votos, sem o próprio local (principal) | 15,9 | 10,0 | 10,8 | 9,7 |
| 2,5 mil eleitores | 16,3 | 10,3 | 11,1 | 10,0 |
| 10 mil, com o próprio local | 16,1 | 10,2 | 10,9 | 9,8 |
| 25 mil eleitores | 15,6 | 9,8 | 10,5 | 9,4 |
| 100 mil eleitores | 14,8 | 9,2 | 9,9 | 8,9 |
| raio de 1 km | 13,9 | 8,7 | 9,3 | 8,4 |
| raio de 2 km | 14,1 | 8,8 | 9,6 | 8,6 |
| raio de 5 km | 15,3 | 9,6 | 10,3 | 9,2 |
Isolamento em pontos: parcela do PT na vizinhança do eleitor típico do PT menos a do eleitor típico da direita, só com os votos nos dois candidatos.
Duas ferramentas completam a medida. A primeira decompõe a separação: a variação do voto entre os locais de votação (o η², a parcela da variância que se deve ao lugar) pode ser dividida entre a parte que existe porque os estados votam diferente, a que existe porque os municípios de um mesmo estado votam diferente e a que sobra entre os locais de um mesmo município. A segunda é a correlação espacial. A "primeira lei da geografia" de Tobler (1970) diz que tudo se relaciona com tudo, mas as coisas próximas se relacionam mais. O I de Moran (MORAN, 1950) mede quanto: vai de −1 a 1, e é positivo quando lugares vizinhos votam parecido. Os indicadores locais de associação espacial, o LISA de Anselin (1995), dizem onde: apontam os agrupamentos de lugares de voto forte do PT cercados de lugares iguais (alto-alto), os de voto forte da direita (baixo-baixo) e as exceções, lugares que votam ao contrário dos vizinhos.
O país ficou menos dividido entre vizinhos
No 2º turno de 2018, o eleitor típico de Haddad vivia numa vizinhança onde 52,3% dos votos foram para o PT; o de Bolsonaro, numa onde só 36,4% foram. A diferença era de 15,9 pontos. Em 2022 caiu para 10,0, subiu um pouco no 1º turno de 2026 (10,8) e chegou a 9,7 no 2º turno, o menor valor da série.
Carregando o gráfico…
Parcela do PT nos votos dados aos dois candidatos, na vizinhança média de cada eleitorado. No 1º turno, só os votos nos dois que foram ao 2º turno. A distância entre os pontos é o isolamento.
O sentido é o oposto do americano. Enquanto lá a separação geográfica cresceu por décadas (JOHNSTON; MANLEY; JONES, 2016; KAPLAN; SPENKUCH; SULLIVAN, 2022), aqui ela recuou em oito anos de eleições muito disputadas. A explicação está menos na rua que no mapa: em 2018, o Sudeste e o Sul votaram em bloco em Bolsonaro, e o Nordeste em bloco em Haddad. Em 2022 e 2026, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro passaram a ser disputados, e um eleitor de Lula em Campinas ou em Juiz de Fora deixou de ser raro.
Isso não quer dizer que os brasileiros ficaram menos polarizados. Fuks e Marques (2022) encontraram polarização afetiva, a antipatia pelo outro lado, muito mais visível em 2018, e Fuks, Ribeiro e Borba (2021) mostraram como o antipetismo se tornou um antipartidarismo mais amplo. O que os dados mostram é que essa antipatia não se traduz numa separação física maior. Lulistas e bolsonaristas continuam a votar nas mesmas escolas, e cada vez mais.
A divisão é entre regiões, não entre vizinhos
Toda a separação pode ser decomposta em três partes: a que existe porque os estados votam diferente, a que existe porque as cidades de um mesmo estado votam diferente, e a que existe entre locais da mesma cidade. No 2º turno de 2026, 56% da separação estava entre estados, 29% entre municípios do mesmo estado e só 15% dentro dos municípios.
Carregando o gráfico…
Decomposição da variância da parcela do PT entre locais de votação (η², ponderado pelos votos nos dois candidatos), 2º turno de cada eleição.
É o retrato do realinhamento que Soares e Terron (2008) e Zucco (2008) descreveram a partir de 2006, quando a base do PT migrou para os municípios mais pobres e para o Nordeste. Também ajuda a entender por que o Brasil não repete a fratura cidade × campo que Rodden (2019) e Chen e Rodden (2013) mostram nos Estados Unidos, onde os democratas se concentram nos centros urbanos. Aqui o PT vence nas periferias das metrópoles, no sertão e na Amazônia ribeirinha ao mesmo tempo, e perde no agronegócio do Centro-Oeste e em boa parte do interior do Sul. A linha que separa os dois eleitorados passa mais entre estados e regiões do que entre bairros.
As cinco regiões
Olhando cada região por dentro, a separação caiu em todas desde 2018 e tem formas diferentes. O Norte é a região internamente mais dividida (11,6 em 2026, contra 15,8 em 2018), com metade da separação entre municípios do mesmo estado. O Nordeste, tão lulista quanto homogêneo, caiu de 11,1 para 6,2. O Sudeste é a região mais misturada (4,6), e o Centro-Oeste é onde a separação mais acontece dentro dos municípios (46%), em parte porque o Distrito Federal é um município só.
Carregando o gráfico…
Separação entre locais de votação dentro de cada região (η² × 100, corrigido pelo acaso), 2º turno de 2026, dividida entre estados, entre municípios do mesmo estado e dentro dos municípios. O traço é o valor de 2018.
| Região | 2018 | 2026 | Entre estados | Entre municípios | Dentro dos municípios |
|---|---|---|---|---|---|
| Norte | 15,8 | 11,6 | 28% | 50% | 22% |
| Nordeste | 11,1 | 6,2 | 7% | 62% | 31% |
| Sudeste | 6,1 | 4,6 | 3% | 63% | 34% |
| Sul | 8,0 | 5,9 | 15% | 55% | 30% |
| Centro-Oeste | 5,7 | 4,4 | 14% | 40% | 46% |
Até onde vai a semelhança
O correlograma mostra o I de Moran a distâncias crescentes: entre cada local de votação e os seus vizinhos mais próximos, e entre municípios cada vez mais afastados. A semelhança é altíssima de perto (um local de votação e o seu vizinho mais próximo têm I de 0,89), diminui devagar e ainda é forte entre municípios a 400 ou 800 km um do outro (0,58). Ela some entre 800 e 1.600 km (0,07) e se inverte além disso (−0,59): é a distância que separa o Nordeste lulista do Sul e do Centro-Oeste, onde a direita vence. A primeira lei de Tobler vale aqui em escala continental.
Carregando o gráfico…
I de Moran da parcela do PT por faixa de distância, no 2º turno de cada eleição. No primeiro painel, entre locais de votação (do 1º ao 500º vizinho mais próximo, numa amostra de 20 mil locais; a posição é a distância mediana da faixa). No segundo, entre municípios (faixas de distância entre os centros). Distância em escala logarítmica; cada painel tem a sua escala vertical.
As duas curvas contam histórias diferentes. Entre locais de votação, a semelhança com os vizinhos caiu em todas as distâncias de 2018 a 2026: do 101º ao 500º vizinho, que estão a uma mediana de 52 km, o I foi de 0,75 para 0,69. Entre municípios, caiu em 2022 e voltou em 2026 ao nível de 2018 (de 0,92 para 0,88 e 0,93 entre municípios a menos de 50 km). O Brasil de 2026 tem blocos regionais tão nítidos quanto os de 2018, mas mais mistura dentro deles.
Os estados: menos divididos, cada um a seu modo
Dentro de cada estado, a separação entre locais de votação caiu em 24 dos 27 de 2018 para 2026. As maiores quedas foram no Amazonas e em Alagoas (−8,7 e −7,8 pontos). A separação só subiu no Distrito Federal, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, e pouco: no máximo 0,6 ponto. Entre os estados, a semelhança do voto também diminuiu: o I de Moran entre estados vizinhos foi de 0,75 em 2018 para 0,69 em 2026.
O mapa mostra também onde a separação mora. Em Alagoas e na Paraíba, 88% e 85% dela está entre municípios: cidades inteiras votam diferente das vizinhas, e dentro de cada uma o eleitorado é parecido. No outro extremo, em Mato Grosso do Sul e no Amapá, a maior parte (74% e 68%) está dentro dos municípios, em boa parte porque o eleitorado se concentra numa capital grande e diversa. O Distrito Federal, um único município, tem toda a sua separação, pequena, dentro dele.
Carregando o mapa…
Separação entre locais de votação dentro de cada estado (η² × 100, corrigido pelo acaso), no 2º turno. Passe o cursor sobre o estado para ver os números.
Os municípios: blocos nítidos, e alguns rachados por dentro
Na escala dos municípios, o voto é um dos fenômenos geograficamente mais organizados que se pode medir. O I de Moran da parcela do PT entre os 5.570 municípios foi de 0,90 em 2026 (0,90 em 2018 e 0,88 em 2022). O LISA identifica 1.908 municípios num agrupamento de voto forte do PT, quase todos no Nordeste e em Minas Gerais, e 1.999 num agrupamento de voto forte da direita, em São Paulo, no Sul, em Goiás, em Mato Grosso, em Rondônia e em parte de Minas Gerais. As exceções, municípios que votam ao contrário dos vizinhos, são só 36.
A separação dentro dos municípios também tem geografia, mais fraca (I de Moran de 0,28). Os municípios internamente divididos se agrupam: há 241 num agrupamento de separação alta, sobretudo no Maranhão (47), no Pará (40), no Rio Grande do Sul (34), em Mato Grosso do Sul (22) e em Mato Grosso (19). A variação da separação de 2018 a 2026 quase não tem padrão espacial (I de 0,09): a mistura avançou de forma difusa pelo país.
Carregando o mapa…
Municípios no 2º turno de 2026. Separação: η² × 100 entre os locais de votação do município, corrigido pelo acaso, só nos municípios com 5 locais ou mais. LISA com 8 vizinhos mais próximos, 499 permutações e p < 0,05. As linhas mais grossas são as divisas estaduais.
| I de Moran da parcela do PT | 2018 | 2022 | 2026 | Unidades (2026) |
|---|---|---|---|---|
| Estados (4 vizinhos) | 0,75 | 0,68 | 0,69 | 27 |
| Municípios (8 vizinhos) | 0,90 | 0,88 | 0,90 | 5.566 |
| Locais de votação (8 vizinhos) | 0,90 | 0,87 | 0,86 | 88.755 |
Pesos de k vizinhos mais próximos, padronizados na linha. Todos os valores têm pseudo-p ≤ 0,01 por permutação (999 permutações para estados e municípios, 99 para locais). Locais com 100 votos ou mais nos dois candidatos.
Dentro das cidades: pouca distância, muitos muros
Nas 338 cidades com mais de 100 mil habitantes, medimos a separação só entre os locais da própria cidade. Ela é pequena: a mediana do isolamento por local foi de 1,1 ponto em 2026, contra 1,6 em 2018. Entre 2018 e 2022 a separação caiu em 281 das 330 cidades com dados nas três eleições, e entre 2018 e 2026 em 274.
A correlação espacial dentro das cidades confirma o quadro. O I de Moran entre os locais de votação de cada cidade, com os 8 locais mais próximos como vizinhos, tem mediana de 0,30 em 2026 (0,31 em 2018): os locais vizinhos votam parecido, mas muito menos do que municípios vizinhos (0,90). Em todo o país, o LISA dentro de cada município encontra 7.244 locais de votação em agrupamentos de voto forte do PT, 12.009 em agrupamentos de voto forte da direita e 3.282 exceções, locais que votam ao contrário da vizinhança, como os do começo deste texto. O mapa da seção 8 mostra cada um deles.
Carregando o gráfico…
Isolamento dentro de cada cidade (η² entre locais de votação, corrigido pelo acaso), 2º turno de 2018 e de 2026, em escala de raiz quadrada. Abaixo da diagonal, a cidade ficou menos separada. Passe o cursor para ver o nome.
As mais divididas são de dois tipos. O primeiro é a cidade com grande zona rural ou com um polo do agronegócio, onde o centro urbano vota de um jeito e os distritos de outro: Santarém (PA), Luís Eduardo Magalhães (BA), Sorriso (MT), Dourados (MS), Paragominas (PA). O segundo é a cidade dos condomínios fechados. Nova Lima, na Grande Belo Horizonte, é o caso extremo e o único que se fechou de forma contínua: o isolamento foi de 1,8 em 2018 para 5,7 em 2022 e 7,1 em 2026, a maior alta do país. Na Vila da Serra, Lula teve 19,4% dos votos nos dois; no Alphaville, 22,5%; no Galo Novo, bairro antigo da cidade, 64,1%.
Nova Lima é a ilustração quase literal do que Teresa Caldeira (2000) chamou de enclaves fortificados: a elite que deixa o centro para condomínios murados, perto dos pobres no mapa e longe deles em tudo o mais. Villaça (1998) mostrou que a segregação nas metrópoles brasileiras é comandada pelo deslocamento das elites, e Marques e Torres (2005) documentaram, em São Paulo, a convivência entre proximidade física e distância social. As cenas do começo deste texto, Paraisópolis ao lado do Morumbi, o Bom Jesus ao lado de Três Figueiras, são esse padrão. Uma medida de vizinhança de 10 mil votos mistura os dois lados do muro e por isso registra pouca separação. A separação brasileira dentro das cidades é de muros, não de quilômetros.
As capitais
Entre as capitais, o Rio de Janeiro é a mais dividida (3,3), seguida de Florianópolis, Teresina, São Paulo e Porto Alegre. Teresina e São Paulo foram as que mais se misturaram: de 5,7 e 5,0 em 2018 para 2,9 e 2,8 em 2026. Maceió, Rio Branco e Manaus têm as menores separações internas.
| # | Cidade | População (mil) | Lula no 2º turno | Isolamento 2018 | 2022 | 2026 | Dissimilaridade | Parte do perfil |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 41 | Rio de Janeiro RJ | 6.731 | 51,5% | 3,0 | 3,2 | 3,3 | 15 | 2% |
| 50 | Florianópolis SC | 598 | 48,3% | 2,5 | 2,9 | 2,9 | 13 | 16% |
| 51 | Teresina PI | 908 | 68,1% | 5,7 | 3,5 | 2,9 | 14 | 40% |
| 52 | São Paulo SP | 11.911 | 55,5% | 5,0 | 3,0 | 2,8 | 14 | 32% |
| 53 | Porto Alegre RS | 1.389 | 55,9% | 2,4 | 2,4 | 2,8 | 14 | 39% |
| 64 | São Luís MA | 1.090 | 62,1% | 4,0 | 2,6 | 2,6 | 14 | 25% |
| 73 | Salvador BA | 2.560 | 73,2% | 4,2 | 2,3 | 2,3 | 12 | 36% |
| 87 | Vitória ES | 344 | 48,2% | 3,3 | 1,7 | 2,0 | 12 | 41% |
| 91 | Campo Grande MS | 971 | 38,9% | 2,8 | 1,9 | 1,9 | 12 | 53% |
| 103 | Porto Velho RO | 520 | 38,9% | 2,5 | 1,7 | 1,7 | 8 | 5% |
| 117 | Macapá AP | 492 | 50,9% | 3,1 | 1,8 | 1,6 | 7 | 24% |
| 129 | Cuiabá MT | 699 | 40,4% | 3,2 | 1,6 | 1,5 | 10 | 44% |
| 150 | Recife PE | 1.589 | 61,2% | 2,2 | 1,2 | 1,3 | 9 | 35% |
| 151 | Palmas TO | 333 | 39,6% | 2,9 | 1,4 | 1,3 | 10 | 43% |
| 165 | Natal RN | 783 | 56,0% | 1,5 | 1,1 | 1,2 | 8 | 69% |
| 187 | Goiânia GO | 1.512 | 37,4% | 1,2 | 0,9 | 1,1 | 9 | 17% |
| 194 | Belém PA | 1.396 | 55,0% | 1,9 | 0,9 | 1,0 | 8 | 40% |
| 195 | Brasília DF | 3.010 | 45,7% | 0,8 | 1,0 | 1,0 | 8 | 0% |
| 200 | Curitiba PR | 1.832 | 37,7% | 1,0 | 0,9 | 1,0 | 7 | 21% |
| 203 | Belo Horizonte MG | 2.415 | 49,2% | 0,9 | 0,9 | 1,0 | 7 | 42% |
| 205 | Fortaleza CE | 2.582 | 60,1% | 1,7 | 0,8 | 1,0 | 8 | 44% |
| 215 | Boa Vista RR | 501 | 24,0% | 1,8 | 0,8 | 0,9 | 7 | 0% |
| 225 | Aracaju SE | 623 | 61,9% | 1,4 | 0,7 | 0,9 | 7 | 84% |
| 230 | João Pessoa PB | 906 | 53,8% | 1,4 | 0,7 | 0,8 | 8 | 51% |
| 267 | Manaus AM | 2.327 | 44,2% | 2,0 | 0,6 | 0,7 | 6 | 50% |
| 280 | Rio Branco AC | 390 | 33,4% | 0,6 | 0,6 | 0,6 | 7 | 0% |
| 293 | Maceió AL | 995 | 48,0% | 0,8 | 0,3 | 0,5 | 6 | 89% |
Isolamento entre locais de votação da cidade (η² × 100, corrigido pelo acaso). Dissimilaridade: parcela dos eleitores de um dos lados que teria de votar em outro local para que todos os locais tivessem a mesma composição (DUNCAN; DUNCAN, 1955). Parte do perfil: quanto da separação a idade, a escolaridade e o sexo do eleitorado de cada local preveem (seção 11). A posição (#) é entre as 338 cidades.
As mais divididas
| # | Cidade | População (mil) | Lula no 2º turno | Isolamento 2018 | 2022 | 2026 | Dissimilaridade | Parte do perfil |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Santarém PA | 364 | 45,2% | 18,4 | 13,9 | 8,5 | 21 | 14% |
| 2 | Luís Eduardo Magalhães BA | 120 | 38,4% | 9,9 | 8,2 | 7,4 | 24 | 34% |
| 3 | Nova Lima MG | 123 | 51,5% | 1,8 | 5,7 | 7,1 | 20 | 17% |
| 4 | Sorriso MT | 129 | 24,3% | 9,3 | 7,7 | 6,7 | 26 | 33% |
| 5 | Bacabal MA | 108 | 66,6% | 9,0 | 7,0 | 6,4 | 22 | 38% |
| 6 | Dourados MS | 267 | 37,3% | 9,4 | 5,7 | 6,4 | 16 | 40% |
| 7 | Paragominas PA | 114 | 41,3% | 8,6 | 6,2 | 6,0 | 19 | 34% |
| 8 | Santana de Parnaíba SP | 165 | 44,7% | 6,7 | 6,4 | 6,0 | 20 | 34% |
| 9 | Ituiutaba MG | 107 | 54,0% | 4,5 | 5,0 | 5,4 | 20 | 34% |
| 10 | Aracruz ES | 104 | 44,3% | 8,5 | 5,5 | 5,2 | 17 | 14% |
| 11 | Itapipoca CE | 138 | 75,2% | 7,5 | 5,5 | 5,2 | 22 | 22% |
| 12 | Francisco Beltrão PR | 103 | 42,7% | 7,9 | 6,0 | 5,0 | 20 | 32% |
| 13 | Barreiras BA | 173 | 56,7% | 7,8 | 5,0 | 4,9 | 19 | 43% |
| 14 | São Mateus ES | 135 | 53,8% | 6,6 | 4,5 | 4,8 | 18 | 37% |
| 15 | Cametá PA | 146 | 78,4% | 8,9 | 4,7 | 4,7 | 23 | 46% |
Ver as 338 cidades
| # | Cidade | População (mil) | Lula no 2º turno | Isolamento 2018 | 2022 | 2026 | Dissimilaridade | Parte do perfil |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Santarém PA | 364 | 45,2% | 18,4 | 13,9 | 8,5 | 21 | 14% |
| 2 | Luís Eduardo Magalhães BA | 120 | 38,4% | 9,9 | 8,2 | 7,4 | 24 | 34% |
| 3 | Nova Lima MG | 123 | 51,5% | 1,8 | 5,7 | 7,1 | 20 | 17% |
| 4 | Sorriso MT | 129 | 24,3% | 9,3 | 7,7 | 6,7 | 26 | 33% |
| 5 | Bacabal MA | 108 | 66,6% | 9,0 | 7,0 | 6,4 | 22 | 38% |
| 6 | Dourados MS | 267 | 37,3% | 9,4 | 5,7 | 6,4 | 16 | 40% |
| 7 | Paragominas PA | 114 | 41,3% | 8,6 | 6,2 | 6,0 | 19 | 34% |
| 8 | Santana de Parnaíba SP | 165 | 44,7% | 6,7 | 6,4 | 6,0 | 20 | 34% |
| 9 | Ituiutaba MG | 107 | 54,0% | 4,5 | 5,0 | 5,4 | 20 | 34% |
| 10 | Aracruz ES | 104 | 44,3% | 8,5 | 5,5 | 5,2 | 17 | 14% |
| 11 | Itapipoca CE | 138 | 75,2% | 7,5 | 5,5 | 5,2 | 22 | 22% |
| 12 | Francisco Beltrão PR | 103 | 42,7% | 7,9 | 6,0 | 5,0 | 20 | 32% |
| 13 | Barreiras BA | 173 | 56,7% | 7,8 | 5,0 | 4,9 | 19 | 43% |
| 14 | São Mateus ES | 135 | 53,8% | 6,6 | 4,5 | 4,8 | 18 | 37% |
| 15 | Cametá PA | 146 | 78,4% | 8,9 | 4,7 | 4,7 | 23 | 46% |
| 16 | Barcarena PA | 141 | 65,4% | 7,0 | 4,4 | 4,6 | 17 | 35% |
| 17 | Guarapuava PR | 191 | 43,6% | 7,8 | 5,1 | 4,5 | 17 | 44% |
| 18 | Bragança PA | 133 | 63,5% | 7,9 | 4,8 | 4,4 | 18 | 34% |
| 19 | Santa Cruz do Sul RS | 138 | 37,8% | 5,8 | 4,5 | 4,4 | 16 | 37% |
| 20 | Caxias MA | 164 | 74,5% | 6,4 | 4,5 | 4,2 | 19 | 57% |
| 21 | Toledo PR | 163 | 31,4% | 5,2 | 4,7 | 4,2 | 18 | 15% |
| 22 | Passos MG | 117 | 47,6% | 3,2 | 4,1 | 4,2 | 17 | 33% |
| 23 | Vitória da Conquista BA | 399 | 58,8% | 6,9 | 4,2 | 4,1 | 16 | 63% |
| 24 | Teixeira de Freitas BA | 154 | 49,9% | 5,8 | 4,2 | 4,1 | 18 | 46% |
| 25 | Eunápolis BA | 122 | 54,5% | 7,7 | 5,0 | 4,0 | 17 | 45% |
| 26 | Abaetetuba PA | 174 | 75,2% | 6,0 | 3,9 | 3,9 | 19 | 48% |
| 27 | Balsas MA | 106 | 44,9% | 6,2 | 4,7 | 3,9 | 16 | 39% |
| 28 | Codó MA | 118 | 77,2% | 5,0 | 4,1 | 3,9 | 19 | 62% |
| 29 | Lauro de Freitas BA | 221 | 67,2% | 7,3 | 4,3 | 3,8 | 17 | 40% |
| 30 | Linhares ES | 186 | 40,0% | 4,9 | 3,2 | 3,8 | 15 | 41% |
| 31 | Parintins AM | 102 | 82,8% | 5,3 | 4,1 | 3,7 | 21 | 46% |
| 32 | Açailândia MA | 111 | 43,8% | 7,2 | 4,4 | 3,7 | 16 | 36% |
| 33 | Chapecó SC | 289 | 35,2% | 5,9 | 4,3 | 3,7 | 16 | 40% |
| 34 | Pelotas RS | 336 | 55,3% | 2,4 | 3,3 | 3,7 | 14 | 0% |
| 35 | Cascavel PR | 372 | 33,2% | 6,3 | 4,2 | 3,6 | 17 | 39% |
| 36 | Juazeiro BA | 258 | 68,4% | 6,4 | 4,4 | 3,6 | 17 | 50% |
| 37 | Breves PA | 117 | 65,2% | 4,2 | 3,4 | 3,5 | 14 | 33% |
| 38 | Petrolina PE | 422 | 67,7% | 6,1 | 3,7 | 3,5 | 16 | 51% |
| 39 | Itacoatiara AM | 115 | 64,6% | 6,0 | 3,1 | 3,3 | 15 | 27% |
| 40 | Rio Verde GO | 245 | 34,0% | 5,5 | 4,2 | 3,3 | 16 | 36% |
| 41 | Rio de Janeiro RJ | 6.731 | 51,5% | 3,0 | 3,2 | 3,3 | 15 | 2% |
| 42 | Feira de Santana BA | 663 | 64,1% | 4,9 | 3,4 | 3,1 | 15 | 45% |
| 43 | Porto Seguro BA | 184 | 56,3% | 6,5 | 3,4 | 3,1 | 14 | 46% |
| 44 | Campo Mourão PR | 105 | 37,5% | 4,2 | 3,5 | 3,1 | 16 | 43% |
| 45 | Santo Antônio de Jesus BA | 110 | 67,3% | 4,5 | 3,5 | 3,0 | 15 | 48% |
| 46 | Marabá PA | 293 | 45,5% | 5,7 | 3,7 | 3,0 | 14 | 33% |
| 47 | Governador Valadares MG | 266 | 39,6% | 4,7 | 3,4 | 3,0 | 14 | 40% |
| 48 | Paulo Afonso BA | 120 | 79,3% | 4,0 | 3,1 | 3,0 | 17 | 77% |
| 49 | Manacapuru AM | 113 | 56,1% | 4,2 | 3,1 | 2,9 | 12 | 20% |
| 50 | Florianópolis SC | 598 | 48,3% | 2,5 | 2,9 | 2,9 | 13 | 16% |
| 51 | Teresina PI | 908 | 68,1% | 5,7 | 3,5 | 2,9 | 14 | 40% |
| 52 | São Paulo SP | 11.911 | 55,5% | 5,0 | 3,0 | 2,8 | 14 | 32% |
| 53 | Porto Alegre RS | 1.389 | 55,9% | 2,4 | 2,4 | 2,8 | 14 | 39% |
| 54 | Montes Claros MG | 441 | 49,9% | 4,1 | 3,4 | 2,8 | 13 | 38% |
| 55 | Barueri SP | 336 | 49,2% | 3,1 | 2,6 | 2,8 | 12 | 30% |
| 56 | São Bernardo do Campo SP | 843 | 55,4% | 5,4 | 3,3 | 2,8 | 15 | 35% |
| 57 | Jequié BA | 170 | 64,8% | 4,6 | 2,9 | 2,7 | 13 | 62% |
| 58 | Tangará da Serra MT | 117 | 26,8% | 4,8 | 2,3 | 2,7 | 14 | 37% |
| 59 | Ji-Paraná RO | 141 | 26,8% | 3,5 | 2,1 | 2,7 | 8 | 37% |
| 60 | Uberaba MG | 359 | 47,1% | 3,1 | 3,0 | 2,7 | 14 | 42% |
| 61 | Rondonópolis MT | 268 | 34,2% | 3,8 | 3,0 | 2,7 | 13 | 37% |
| 62 | Araguaína TO | 184 | 41,3% | 4,9 | 3,4 | 2,7 | 14 | 36% |
| 63 | Teófilo Otoni MG | 143 | 52,7% | – | – | 2,7 | 12 | 44% |
| 64 | São Luís MA | 1.090 | 62,1% | 4,0 | 2,6 | 2,6 | 14 | 25% |
| 65 | Barbacena MG | 130 | 56,8% | 3,4 | 3,1 | 2,6 | 14 | 53% |
| 66 | Sobral CE | 218 | 67,4% | 4,3 | 2,6 | 2,5 | 14 | 35% |
| 67 | Arapiraca AL | 244 | 55,6% | 4,0 | 2,1 | 2,5 | 13 | 49% |
| 68 | Ilhéus BA | 189 | 63,7% | 5,3 | 2,2 | 2,5 | 13 | 54% |
| 69 | Garanhuns PE | 152 | 74,9% | 3,5 | 2,6 | 2,5 | 13 | 58% |
| 70 | Parauapebas PA | 312 | 40,4% | 4,7 | 2,5 | 2,4 | 10 | 42% |
| 71 | Muriaé MG | 109 | 48,1% | 3,6 | 2,5 | 2,3 | 12 | 30% |
| 72 | Colatina ES | 130 | 36,6% | 1,7 | 2,1 | 2,3 | 13 | 39% |
| 73 | Salvador BA | 2.560 | 73,2% | 4,2 | 2,3 | 2,3 | 12 | 36% |
| 74 | Várzea Grande MT | 323 | 42,6% | 3,9 | 2,6 | 2,2 | 13 | 28% |
| 75 | Timon MA | 183 | 72,7% | 3,6 | 2,5 | 2,2 | 13 | 49% |
| 76 | Imperatriz MA | 286 | 45,6% | 3,6 | 2,3 | 2,2 | 11 | 35% |
| 77 | Sertãozinho SP | 133 | 43,4% | 2,0 | 2,4 | 2,2 | 12 | 49% |
| 78 | Formosa GO | 123 | 42,8% | 3,6 | 2,0 | 2,2 | 12 | 41% |
| 79 | Leme SP | 102 | 36,0% | 2,5 | 2,1 | 2,1 | 14 | 56% |
| 80 | Passo Fundo RS | 215 | 41,5% | 3,4 | 2,7 | 2,1 | 12 | 56% |
| 81 | Jataí GO | 113 | 33,9% | 3,8 | 2,3 | 2,1 | 12 | 52% |
| 82 | Uberlândia MG | 768 | 47,6% | 2,7 | 2,2 | 2,1 | 11 | 46% |
| 83 | Erechim RS | 110 | 30,8% | 3,5 | 2,6 | 2,1 | 12 | 56% |
| 84 | Luziânia GO | 224 | 42,2% | 2,8 | 1,8 | 2,0 | 12 | 32% |
| 85 | Parnaíba PI | 171 | 67,1% | 3,7 | 2,1 | 2,0 | 12 | 57% |
| 86 | Araxá MG | 120 | 44,4% | 1,7 | 1,8 | 2,0 | 12 | 46% |
| 87 | Vitória ES | 344 | 48,2% | 3,3 | 1,7 | 2,0 | 12 | 41% |
| 88 | Bento Gonçalves RS | 128 | 24,2% | 1,9 | 1,9 | 2,0 | 12 | 39% |
| 89 | Bagé RS | 122 | 53,3% | 2,0 | 1,9 | 1,9 | 11 | 59% |
| 90 | Itumbiara GO | 114 | 37,9% | 2,7 | 2,3 | 1,9 | 11 | 52% |
| 91 | Campo Grande MS | 971 | 38,9% | 2,8 | 1,9 | 1,9 | 12 | 53% |
| 92 | Crato CE | 140 | 81,8% | 3,8 | 2,4 | 1,9 | 15 | 67% |
| 93 | Lagarto SE | 106 | 72,1% | – | – | 1,9 | 13 | 49% |
| 94 | Angra dos Reis RJ | 179 | 37,9% | 1,7 | 2,0 | 1,9 | 11 | 0% |
| 95 | Sinop MT | 231 | 22,3% | 3,6 | 2,1 | 1,9 | 14 | 53% |
| 96 | Altamira PA | 140 | 38,3% | 2,2 | 1,5 | 1,9 | 11 | 36% |
| 97 | Itapecerica da Serra SP | 163 | 58,0% | 3,4 | 1,9 | 1,9 | 12 | 19% |
| 98 | São José de Ribamar MA | 261 | 65,1% | 2,8 | 2,0 | 1,9 | 11 | 23% |
| 99 | Araçatuba SP | 209 | 33,1% | 2,4 | 2,1 | 1,9 | 11 | 50% |
| 100 | Caxias do Sul RS | 480 | 33,5% | 2,0 | 1,9 | 1,8 | 11 | 36% |
| 101 | Patos de Minas MG | 170 | 35,2% | 2,4 | – | 1,8 | 11 | 43% |
| 102 | Paço do Lumiar MA | 154 | 64,2% | – | – | 1,8 | 12 | 38% |
| 103 | Porto Velho RO | 520 | 38,9% | 2,5 | 1,7 | 1,7 | 8 | 5% |
| 104 | Castanhal PA | 211 | 48,7% | 3,2 | 1,9 | 1,7 | 10 | 55% |
| 105 | Apucarana PR | 135 | 30,5% | 2,1 | 1,6 | 1,7 | 12 | 47% |
| 106 | São Cristóvão SE | 112 | 68,9% | 3,4 | 2,0 | 1,7 | 11 | 67% |
| 107 | Guarulhos SP | 1.351 | 48,9% | 3,2 | 1,9 | 1,7 | 11 | 31% |
| 108 | Santa Maria RS | 282 | 48,2% | 1,5 | 1,6 | 1,7 | 10 | 30% |
| 109 | Caruaru PE | 408 | 59,6% | 2,5 | 1,6 | 1,7 | 10 | 64% |
| 110 | Itaituba PA | 137 | 33,0% | 3,8 | 2,4 | 1,7 | 9 | 23% |
| 111 | Planaltina GO | 114 | 50,5% | 2,0 | 1,5 | 1,7 | 11 | 41% |
| 112 | Campinas SP | 1.190 | 45,8% | 2,5 | 1,8 | 1,7 | 10 | 36% |
| 113 | Caldas Novas GO | 109 | 36,1% | 2,0 | 1,3 | 1,7 | 11 | 44% |
| 114 | Ariquemes RO | 110 | 21,8% | 2,8 | 1,6 | 1,6 | 13 | 63% |
| 115 | Divinópolis MG | 245 | 44,9% | 1,3 | 1,7 | 1,6 | 10 | 43% |
| 116 | Santo André SP | 784 | 49,7% | 2,6 | 1,6 | 1,6 | 10 | 38% |
| 117 | Macapá AP | 492 | 50,9% | 3,1 | 1,8 | 1,6 | 7 | 24% |
| 118 | São Gonçalo do Amarante RN | 126 | 60,7% | 2,8 | 1,8 | 1,6 | 9 | 46% |
| 119 | Taboão da Serra SP | 286 | 59,1% | 2,1 | 1,9 | 1,6 | 11 | 41% |
| 120 | Juazeiro do Norte CE | 308 | 74,0% | 2,4 | 1,7 | 1,6 | 11 | 47% |
| 121 | Santa Rita PB | 162 | 60,1% | 2,4 | 1,6 | 1,6 | 11 | 56% |
| 122 | Presidente Prudente SP | 235 | 33,5% | 1,5 | 1,5 | 1,6 | 10 | 47% |
| 123 | Santos SP | 430 | 47,8% | 2,0 | 1,5 | 1,6 | 10 | 54% |
| 124 | Umuarama PR | 124 | 29,1% | 3,1 | 1,8 | 1,6 | 12 | 54% |
| 125 | Alagoinhas BA | 162 | 72,0% | – | – | 1,6 | 10 | 69% |
| 126 | Caucaia CE | 381 | 63,1% | 2,8 | 1,5 | 1,5 | 10 | 37% |
| 127 | Araguari MG | 124 | 38,3% | 1,8 | 1,5 | 1,5 | 11 | 51% |
| 128 | Ribeirão Preto SP | 735 | 42,2% | 2,3 | 1,6 | 1,5 | 10 | 54% |
| 129 | Cuiabá MT | 699 | 40,4% | 3,2 | 1,6 | 1,5 | 10 | 44% |
| 130 | Campina Grande PB | 447 | 55,7% | 2,1 | 1,4 | 1,5 | 10 | 65% |
| 131 | Vila Velha ES | 511 | 42,2% | 2,0 | 0,9 | 1,5 | 9 | 59% |
| 132 | Itaperuna RJ | 107 | 36,5% | 2,3 | 2,0 | 1,5 | 10 | 27% |
| 133 | Lages SC | 173 | 33,2% | 2,5 | 1,8 | 1,4 | 10 | 73% |
| 134 | Maranguape CE | 108 | 65,6% | 2,5 | 1,8 | 1,4 | 11 | 33% |
| 135 | Itabira MG | 118 | 55,2% | 2,8 | 2,1 | 1,4 | 9 | 48% |
| 136 | Catanduva SP | 119 | 31,6% | 2,0 | 1,6 | 1,4 | 10 | 44% |
| 137 | Lavras MG | 111 | 49,1% | 1,3 | 1,5 | 1,4 | 9 | 49% |
| 138 | Niterói RJ | 517 | 55,1% | 1,4 | 1,2 | 1,4 | 10 | 19% |
| 139 | Cubatão SP | 115 | 55,0% | 1,6 | 1,4 | 1,4 | 10 | 48% |
| 140 | Campo Largo PR | 146 | 35,4% | 3,0 | 1,8 | 1,4 | 10 | 45% |
| 141 | Foz do Iguaçu PR | 299 | 37,0% | 2,5 | 1,4 | 1,4 | 10 | 46% |
| 142 | Ubá MG | 108 | 52,1% | 1,4 | 1,2 | 1,4 | 10 | 38% |
| 143 | Teresópolis RJ | 177 | 36,0% | 0,7 | 1,3 | 1,4 | 9 | 0% |
| 144 | Conselheiro Lafaiete MG | 140 | 56,4% | 2,0 | 1,5 | 1,4 | 9 | 45% |
| 145 | Sumaré SP | 292 | 43,4% | 2,1 | 1,6 | 1,4 | 10 | 28% |
| 146 | Iguatu CE | 103 | 80,5% | 2,5 | 1,7 | 1,4 | 13 | 50% |
| 147 | Cariacica ES | 377 | 46,6% | 2,5 | 1,4 | 1,4 | 10 | 48% |
| 148 | Assis SP | 105 | 37,4% | 1,3 | 1,4 | 1,4 | 9 | 47% |
| 149 | Sabará MG | 135 | 53,1% | 1,1 | 1,6 | 1,3 | 10 | 0% |
| 150 | Recife PE | 1.589 | 61,2% | 2,2 | 1,2 | 1,3 | 9 | 35% |
| 151 | Palmas TO | 333 | 39,6% | 2,9 | 1,4 | 1,3 | 10 | 43% |
| 152 | Maringá PR | 433 | 33,0% | 1,6 | 1,4 | 1,3 | 9 | 26% |
| 153 | Barretos SP | 127 | 38,7% | 1,3 | 1,3 | 1,3 | 10 | 31% |
| 154 | Sarandi PR | 130 | 42,1% | 1,8 | 1,4 | 1,3 | 10 | 43% |
| 155 | Araucária PR | 164 | 44,4% | 1,3 | 1,1 | 1,3 | 8 | 0% |
| 156 | Londrina PR | 584 | 30,8% | 1,9 | 1,0 | 1,3 | 8 | 48% |
| 157 | Nova Serrana MG | 117 | 26,5% | 1,7 | 1,3 | 1,2 | 12 | 29% |
| 158 | Guarapari ES | 138 | 37,4% | 2,6 | 1,2 | 1,2 | 9 | 76% |
| 159 | Embu das Artes SP | 260 | 58,4% | 2,0 | 1,4 | 1,2 | 8 | 19% |
| 160 | Itabaiana SE | 110 | 63,8% | 0,9 | 0,8 | 1,2 | 9 | 73% |
| 161 | Magé RJ | 244 | 42,3% | 1,1 | 1,1 | 1,2 | 9 | 0% |
| 162 | Osasco SP | 761 | 52,4% | 2,5 | 1,4 | 1,2 | 9 | 43% |
| 163 | Camboriú SC | 121 | 28,1% | 1,6 | 1,5 | 1,2 | 10 | 42% |
| 164 | Patos PB | 108 | 66,3% | 2,1 | 1,4 | 1,2 | 10 | 67% |
| 165 | Natal RN | 783 | 56,0% | 1,5 | 1,1 | 1,2 | 8 | 69% |
| 166 | Arapongas PR | 126 | 25,3% | 1,3 | 1,1 | 1,2 | 10 | 44% |
| 167 | Várzea Paulista SP | 120 | 42,1% | 1,8 | 1,1 | 1,2 | 8 | 43% |
| 168 | Simões Filho BA | 120 | 74,2% | – | – | 1,2 | 11 | 53% |
| 169 | Campos dos Goytacazes RJ | 519 | 42,1% | 1,1 | 1,5 | 1,2 | 9 | 0% |
| 170 | Praia Grande SP | 371 | 44,5% | 2,1 | 1,3 | 1,2 | 9 | 64% |
| 171 | Viamão RS | 232 | 54,8% | 0,8 | 0,9 | 1,2 | 8 | 6% |
| 172 | Itabuna BA | 196 | 56,3% | 2,0 | 0,9 | 1,1 | 8 | 65% |
| 173 | Araraquara SP | 255 | 52,1% | 1,7 | 1,2 | 1,1 | 9 | 52% |
| 174 | Itaboraí RJ | 240 | 45,8% | 1,3 | 0,9 | 1,1 | 9 | 27% |
| 175 | Piracicaba SP | 443 | 34,6% | 1,1 | 1,0 | 1,1 | 8 | 28% |
| 176 | Cotia SP | 292 | 51,2% | 1,3 | 1,1 | 1,1 | 8 | 30% |
| 177 | Itaúna MG | 104 | 34,9% | 0,8 | 1,0 | 1,1 | 9 | 34% |
| 178 | Três Lagoas MS | 146 | 41,0% | 1,5 | 1,3 | 1,1 | 9 | 59% |
| 179 | Pará de Minas MG | 104 | 35,2% | 1,1 | 1,1 | 1,1 | 8 | 48% |
| 180 | Canoas RS | 360 | 46,6% | 1,2 | 1,1 | 1,1 | 8 | 77% |
| 181 | Juiz de Fora MG | 570 | 57,7% | 1,6 | 1,2 | 1,1 | 9 | 54% |
| 182 | Hortolândia SP | 250 | 45,4% | 1,6 | 1,2 | 1,1 | 9 | 36% |
| 183 | Mogi das Cruzes SP | 472 | 45,7% | 1,7 | 1,0 | 1,1 | 8 | 39% |
| 184 | Anápolis GO | 425 | 29,7% | 1,8 | 1,5 | 1,1 | 10 | 56% |
| 185 | Ponta Grossa PR | 379 | 36,0% | 1,4 | 1,0 | 1,1 | 8 | 37% |
| 186 | Varginha MG | 145 | 41,8% | 0,6 | 0,8 | 1,1 | 8 | 46% |
| 187 | Goiânia GO | 1.512 | 37,4% | 1,2 | 0,9 | 1,1 | 9 | 17% |
| 188 | Pouso Alegre MG | 163 | 41,9% | 0,6 | 0,9 | 1,1 | 8 | 27% |
| 189 | Rio Grande RS | 199 | 63,9% | 1,0 | 0,9 | 1,1 | 8 | 37% |
| 190 | São Carlos SP | 267 | 48,9% | 1,4 | 1,1 | 1,0 | 8 | 22% |
| 191 | Ipojuca PE | 107 | 74,6% | 1,6 | 1,1 | 1,0 | 10 | 30% |
| 192 | Cachoeiro de Itapemirim ES | 198 | 32,9% | 1,0 | 0,8 | 1,0 | 9 | 46% |
| 193 | Itu SP | 175 | 37,2% | 1,5 | 1,0 | 1,0 | 8 | 62% |
| 194 | Belém PA | 1.396 | 55,0% | 1,9 | 0,9 | 1,0 | 8 | 40% |
| 195 | Brasília DF | 3.010 | 45,7% | 0,8 | 1,0 | 1,0 | 8 | 0% |
| 196 | Araras SP | 136 | 33,1% | 1,2 | 1,0 | 1,0 | 9 | 51% |
| 197 | Birigui SP | 124 | 28,5% | 1,4 | 1,0 | 1,0 | 8 | 58% |
| 198 | Parnamirim RN | 274 | 48,9% | 1,1 | 1,0 | 1,0 | 8 | 32% |
| 199 | Duque de Caxias RJ | 866 | 44,8% | 0,8 | 0,8 | 1,0 | 8 | 11% |
| 200 | Curitiba PR | 1.832 | 37,7% | 1,0 | 0,9 | 1,0 | 7 | 21% |
| 201 | Novo Gama GO | 108 | 49,1% | 1,2 | 1,0 | 1,0 | 8 | 32% |
| 202 | Abreu e Lima PE | 105 | 62,4% | 1,2 | 0,8 | 1,0 | 9 | 43% |
| 203 | Belo Horizonte MG | 2.415 | 49,2% | 0,9 | 0,9 | 1,0 | 7 | 42% |
| 204 | Nossa Senhora do Socorro SE | 206 | 63,6% | 1,9 | 1,2 | 1,0 | 9 | 60% |
| 205 | Fortaleza CE | 2.582 | 60,1% | 1,7 | 0,8 | 1,0 | 8 | 44% |
| 206 | Mauá SP | 429 | 54,7% | 1,5 | 1,0 | 1,0 | 8 | 40% |
| 207 | Suzano SP | 322 | 49,1% | 1,6 | 1,1 | 1,0 | 8 | 35% |
| 208 | Gravataí RS | 275 | 41,6% | 0,8 | 0,8 | 1,0 | 8 | 13% |
| 209 | Vitória de Santo Antão PE | 142 | 61,7% | 2,0 | 1,1 | 0,9 | 8 | 68% |
| 210 | Serra ES | 587 | 49,1% | 1,9 | 0,9 | 0,9 | 8 | 67% |
| 211 | São José do Rio Preto SP | 506 | 34,7% | 1,4 | 0,9 | 0,9 | 8 | 56% |
| 212 | São José dos Campos SP | 729 | 40,2% | 1,0 | 1,1 | 0,9 | 8 | 39% |
| 213 | São José dos Pinhais PR | 354 | 35,3% | 1,2 | 0,9 | 0,9 | 8 | 24% |
| 214 | Nova Friburgo RJ | 203 | 42,3% | 0,7 | 0,9 | 0,9 | 8 | 0% |
| 215 | Boa Vista RR | 501 | 24,0% | 1,8 | 0,8 | 0,9 | 7 | 0% |
| 216 | Bauru SP | 394 | 40,9% | 1,7 | 1,0 | 0,9 | 8 | 55% |
| 217 | Tubarão SC | 118 | 26,5% | 0,6 | 0,8 | 0,9 | 10 | 0% |
| 218 | Ourinhos SP | 107 | 38,2% | 0,8 | 0,8 | 0,9 | 8 | 66% |
| 219 | São Leopoldo RS | 226 | 45,2% | 1,2 | 0,9 | 0,9 | 8 | 70% |
| 220 | Guarujá SP | 295 | 47,0% | 1,5 | 0,8 | 0,9 | 7 | 62% |
| 221 | Aparecida de Goiânia GO | 561 | 42,3% | 2,0 | 1,1 | 0,9 | 8 | 48% |
| 222 | Santana AP | 119 | 47,9% | 1,3 | 0,6 | 0,9 | 5 | 30% |
| 223 | Rio Claro SP | 211 | 35,1% | 1,2 | 0,9 | 0,9 | 8 | 31% |
| 224 | Mossoró RN | 279 | 63,8% | 1,6 | 1,0 | 0,9 | 7 | 77% |
| 225 | Aracaju SE | 623 | 61,9% | 1,4 | 0,7 | 0,9 | 7 | 84% |
| 226 | Betim MG | 434 | 49,1% | 1,4 | 0,8 | 0,9 | 8 | 40% |
| 227 | Barra Mansa RJ | 182 | 47,6% | 1,1 | 1,0 | 0,9 | 8 | 40% |
| 228 | Votuporanga SP | 101 | 32,4% | 0,9 | 0,9 | 0,9 | 8 | 64% |
| 229 | Catalão GO | 125 | 46,0% | 1,7 | 1,1 | 0,9 | 7 | 55% |
| 230 | João Pessoa PB | 906 | 53,8% | 1,4 | 0,7 | 0,8 | 8 | 51% |
| 231 | Cabo de Santo Agostinho PE | 219 | 72,2% | 1,2 | 0,7 | 0,8 | 8 | 39% |
| 232 | Franca SP | 367 | 37,3% | 0,9 | 1,0 | 0,8 | 8 | 53% |
| 233 | Criciúma SC | 229 | 29,5% | 0,7 | 0,8 | 0,8 | 8 | 50% |
| 234 | Resende RJ | 138 | 38,9% | 1,3 | 1,1 | 0,8 | 8 | 60% |
| 235 | Olinda PE | 364 | 63,3% | 1,4 | 0,9 | 0,8 | 7 | 21% |
| 236 | Sorocaba SP | 766 | 40,6% | 1,4 | 0,9 | 0,8 | 7 | 47% |
| 237 | Cambé PR | 112 | 32,8% | 0,9 | 0,7 | 0,8 | 8 | 57% |
| 238 | Trindade GO | 156 | 42,6% | 1,5 | 1,0 | 0,8 | 8 | 41% |
| 239 | Valparaíso de Goiás GO | 223 | 46,4% | 1,6 | 1,0 | 0,8 | 8 | 69% |
| 240 | Jundiaí SP | 465 | 38,3% | 1,0 | 0,8 | 0,8 | 7 | 20% |
| 241 | Uruguaiana RS | 121 | 38,5% | 1,1 | 0,6 | 0,8 | 7 | 55% |
| 242 | Itanhaém SP | 119 | 48,1% | 1,0 | 0,6 | 0,8 | 8 | 52% |
| 243 | Salto SP | 142 | 39,3% | 0,8 | 0,9 | 0,8 | 7 | 36% |
| 244 | Caraguatatuba SP | 143 | 42,6% | 1,2 | 0,6 | 0,8 | 8 | 41% |
| 245 | São Vicente SP | 338 | 50,3% | 1,7 | 0,9 | 0,8 | 8 | 66% |
| 246 | Jaraguá do Sul SC | 203 | 23,5% | 1,3 | 0,8 | 0,8 | 8 | 7% |
| 247 | Petrópolis RJ | 295 | 42,1% | 0,4 | 0,6 | 0,7 | 8 | 0% |
| 248 | Almirante Tamandaré PR | 127 | 42,7% | 1,3 | 0,8 | 0,7 | 7 | 34% |
| 249 | Botucatu SP | 152 | 43,2% | 1,4 | 0,8 | 0,7 | 6 | 34% |
| 250 | Marília SP | 248 | 32,5% | 0,9 | 0,7 | 0,7 | 8 | 44% |
| 251 | Limeira SP | 302 | 28,5% | 1,1 | 0,7 | 0,7 | 8 | 53% |
| 252 | Vilhena RO | 111 | 23,3% | 1,3 | 0,6 | 0,7 | 8 | 71% |
| 253 | Poços de Caldas MG | 173 | 44,3% | 0,6 | 0,7 | 0,7 | 7 | 37% |
| 254 | Sete Lagoas MG | 240 | 43,2% | 0,5 | 0,6 | 0,7 | 6 | 61% |
| 255 | Macaé RJ | 265 | 48,0% | 0,8 | 0,7 | 0,7 | 7 | 0% |
| 256 | Jaú SP | 137 | 29,9% | 0,6 | 0,6 | 0,7 | 7 | 58% |
| 257 | Itajaí SC | 302 | 28,6% | 0,8 | 0,6 | 0,7 | 8 | 25% |
| 258 | Palhoça SC | 261 | 35,0% | 0,6 | 0,6 | 0,7 | 7 | 32% |
| 259 | Alvorada RS | 194 | 51,9% | 0,8 | 0,6 | 0,7 | 7 | 28% |
| 260 | Novo Hamburgo RS | 236 | 33,2% | 1,2 | 0,7 | 0,7 | 8 | 93% |
| 261 | Maracanaú CE | 253 | 61,3% | 1,3 | 0,7 | 0,7 | 7 | 49% |
| 262 | Jaboatão dos Guararapes PE | 685 | 60,6% | 1,1 | 0,5 | 0,7 | 7 | 62% |
| 263 | São Gonçalo RJ | 960 | 48,0% | 0,8 | 0,6 | 0,7 | 7 | 0% |
| 264 | Cidade Ocidental GO | 104 | 48,8% | 1,4 | 0,9 | 0,7 | 8 | 80% |
| 265 | Indaiatuba SP | 271 | 36,4% | 0,8 | 0,8 | 0,7 | 8 | 60% |
| 266 | Paulínia SP | 118 | 41,3% | 1,1 | 0,7 | 0,7 | 7 | 45% |
| 267 | Manaus AM | 2.327 | 44,2% | 2,0 | 0,6 | 0,7 | 6 | 50% |
| 268 | Coronel Fabriciano MG | 109 | 43,6% | 0,8 | 0,6 | 0,7 | 7 | 65% |
| 269 | Diadema SP | 404 | 61,0% | 1,3 | 0,8 | 0,7 | 7 | 36% |
| 270 | Guaratinguetá SP | 122 | 37,7% | 0,5 | 0,8 | 0,6 | 7 | 33% |
| 271 | São Lourenço da Mata PE | 119 | 65,9% | 0,7 | 0,3 | 0,6 | 6 | 61% |
| 272 | Ribeirão Pires SP | 119 | 50,1% | 1,0 | 0,8 | 0,6 | 6 | 15% |
| 273 | Colombo PR | 243 | 40,1% | 0,8 | 0,5 | 0,6 | 6 | 10% |
| 274 | Igarassu PE | 124 | 67,5% | 0,8 | 0,6 | 0,6 | 6 | 32% |
| 275 | Franco da Rocha SP | 151 | 55,9% | 1,1 | 0,8 | 0,6 | 6 | 33% |
| 276 | Joinville SC | 674 | 26,2% | 0,8 | 0,6 | 0,6 | 7 | 32% |
| 277 | Vespasiano MG | 140 | 49,6% | 0,7 | 0,5 | 0,6 | 6 | 65% |
| 278 | Americana SP | 248 | 34,0% | 0,7 | 0,7 | 0,6 | 6 | 62% |
| 279 | Fazenda Rio Grande PR | 170 | 39,5% | 0,8 | 0,5 | 0,6 | 6 | 28% |
| 280 | Rio Branco AC | 390 | 33,4% | 0,6 | 0,6 | 0,6 | 7 | 0% |
| 281 | Santa Cruz do Capibaribe PE | 105 | 46,4% | 0,7 | 0,5 | 0,6 | 6 | 39% |
| 282 | Contagem MG | 653 | 47,1% | 0,7 | 0,6 | 0,6 | 6 | 37% |
| 283 | Santa Luzia MG | 231 | 50,7% | 0,6 | 0,6 | 0,6 | 6 | 32% |
| 284 | Blumenau SC | 390 | 26,5% | 0,7 | 0,5 | 0,6 | 6 | 29% |
| 285 | Ribeirão das Neves MG | 349 | 52,3% | 0,7 | 0,6 | 0,5 | 5 | 30% |
| 286 | Sapucaia do Sul RS | 137 | 51,8% | 0,5 | 0,5 | 0,5 | 6 | 64% |
| 287 | Camaçari BA | 324 | 68,7% | – | – | 0,5 | 6 | 43% |
| 288 | São José SC | 301 | 38,3% | 0,6 | 0,5 | 0,5 | 6 | 31% |
| 289 | Cabo Frio RJ | 237 | 37,0% | 0,5 | 0,5 | 0,5 | 6 | 0% |
| 290 | Votorantim SP | 134 | 40,1% | 1,0 | 0,7 | 0,5 | 6 | 56% |
| 291 | Brusque SC | 159 | 22,8% | 0,4 | 0,5 | 0,5 | 7 | 51% |
| 292 | Cachoeirinha RS | 142 | 42,9% | 0,5 | 0,3 | 0,5 | 6 | 57% |
| 293 | Maceió AL | 995 | 48,0% | 0,8 | 0,3 | 0,5 | 6 | 89% |
| 294 | Maricá RJ | 213 | 49,2% | 0,6 | 0,6 | 0,5 | 6 | 38% |
| 295 | Volta Redonda RJ | 280 | 49,6% | 0,5 | 0,5 | 0,5 | 6 | 23% |
| 296 | Itapetininga SP | 165 | 33,2% | 0,9 | 0,5 | 0,5 | 5 | 34% |
| 297 | Balneário Camboriú SC | 155 | 25,8% | 0,5 | 0,5 | 0,5 | 7 | 92% |
| 298 | Marituba PA | 120 | 56,4% | 0,9 | 0,4 | 0,5 | 6 | 44% |
| 299 | Ipatinga MG | 235 | 37,3% | 0,3 | 0,4 | 0,5 | 6 | 59% |
| 300 | Atibaia SP | 168 | 37,2% | 0,7 | 0,6 | 0,5 | 6 | 71% |
| 301 | Jacareí SP | 252 | 40,0% | 0,5 | 0,6 | 0,5 | 6 | 61% |
| 302 | São Caetano do Sul SP | 173 | 41,7% | 0,7 | 0,6 | 0,5 | 6 | 32% |
| 303 | Tatuí SP | 130 | 33,5% | 0,5 | 0,4 | 0,5 | 6 | 70% |
| 304 | Itatiba SP | 128 | 35,3% | 0,8 | 0,5 | 0,5 | 6 | 69% |
| 305 | Rio das Ostras RJ | 169 | 38,6% | 0,3 | 0,4 | 0,5 | 6 | 0% |
| 306 | São Pedro da Aldeia RJ | 111 | 31,8% | 0,5 | 0,6 | 0,4 | 6 | 14% |
| 307 | Águas Lindas de Goiás GO | 250 | 49,5% | 0,7 | 0,5 | 0,4 | 6 | 27% |
| 308 | Camaragibe PE | 156 | 60,5% | 0,5 | 0,3 | 0,4 | 5 | 18% |
| 309 | Pindamonhangaba SP | 173 | 38,7% | 0,3 | 0,3 | 0,4 | 5 | 52% |
| 310 | Paranaguá PR | 150 | 36,8% | 0,3 | 0,3 | 0,4 | 5 | 20% |
| 311 | Itaguaí RJ | 124 | 39,6% | 0,2 | 0,3 | 0,4 | 5 | 1% |
| 312 | Itapevi SP | 244 | 56,6% | – | – | 0,4 | 5 | 31% |
| 313 | Pinhais PR | 132 | 38,8% | 0,4 | 0,4 | 0,4 | 4 | 39% |
| 314 | Ananindeua PA | 511 | 52,6% | 0,9 | 0,3 | 0,4 | 5 | 85% |
| 315 | Belford Roxo RJ | 518 | 43,8% | 0,3 | 0,2 | 0,3 | 5 | 19% |
| 316 | Queimados RJ | 149 | 44,5% | 0,3 | 0,4 | 0,3 | 5 | 16% |
| 317 | Japeri RJ | 102 | 46,2% | 0,5 | 0,4 | 0,3 | 5 | 0% |
| 318 | Bragança Paulista SP | 187 | 35,2% | 0,5 | 0,3 | 0,3 | 5 | 46% |
| 319 | Ferraz de Vasconcelos SP | 187 | 57,4% | 0,6 | 0,4 | 0,3 | 4 | 40% |
| 320 | Paulista PE | 367 | 62,5% | 0,6 | 0,2 | 0,3 | 5 | 39% |
| 321 | São João de Meriti RJ | 466 | 44,3% | 0,2 | 0,2 | 0,3 | 5 | 10% |
| 322 | Jandira SP | 122 | 52,5% | 0,5 | 0,2 | 0,3 | 5 | 39% |
| 323 | Taubaté SP | 323 | 36,6% | 0,5 | 0,3 | 0,3 | 5 | 41% |
| 324 | Carapicuíba SP | 399 | 55,4% | 0,6 | 0,3 | 0,3 | 4 | 30% |
| 325 | Francisco Morato SP | 172 | 61,0% | 0,5 | 0,3 | 0,3 | 4 | 34% |
| 326 | Itaquaquecetuba SP | 384 | 54,9% | 0,5 | 0,4 | 0,3 | 4 | 19% |
| 327 | Santa Bárbara D'Oeste SP | 190 | 34,7% | 0,5 | 0,4 | 0,3 | 5 | 62% |
| 328 | Nova Iguaçu RJ | 843 | 41,0% | 0,2 | 0,3 | 0,3 | 5 | 0% |
| 329 | Valinhos SP | 133 | 36,5% | 0,7 | 0,4 | 0,3 | 4 | 73% |
| 330 | Caçapava SP | 100 | 37,4% | 0,3 | 0,2 | 0,3 | 4 | 67% |
| 331 | Poá SP | 106 | 51,7% | 0,4 | 0,3 | 0,3 | 5 | 23% |
| 332 | Piraquara PR | 129 | 43,8% | 0,9 | 0,3 | 0,3 | 5 | 62% |
| 333 | Mesquita RJ | 179 | 42,7% | 0,2 | 0,1 | 0,2 | 4 | 20% |
| 334 | Ibirité MG | 180 | 51,8% | 0,2 | 0,1 | 0,2 | 4 | 33% |
| 335 | Nilópolis RJ | 155 | 44,0% | 0,1 | 0,2 | 0,2 | 4 | 17% |
| 336 | Mogi Guaçu SP | 161 | 31,4% | 0,3 | 0,2 | 0,2 | 4 | 15% |
| 337 | Araruama RJ | 138 | 35,2% | 0,9 | 0,3 | 0,2 | 4 | 1% |
| 338 | Senador Canedo GO | 180 | 44,9% | 0,3 | 0,1 | 0,1 | 4 | 30% |
Procure o seu local de votação
Escolha o estado e a cidade e digite o nome da escola ou do bairro onde você vota. O mapa mostra cada local de votação, e a ficha diz quanto a sua vizinhança é fechada em comparação com a do resto do país. O mapa cobre todos os municípios; a ficha da cidade, as 338 com mais de 100 mil habitantes. O botão dos agrupamentos mostra o LISA de cada local dentro da própria cidade: os agrupamentos de voto forte de cada lado e as exceções.
Carregando os locais…
A virada atravessou as bolhas
Se as vizinhanças fechadas funcionam como câmaras de eco, a mudança de voto entre o 1º e o 2º turno de 2026 deveria ter sido menor nelas. Na conta crua, foi: nos 20% de locais com a vizinhança mais homogênea, a margem de Lula andou +3,8 pontos; nos 20% mais misturados, +6,3.
Carregando o gráfico…
Virada média (margem de Lula sobre Flávio no 2º turno menos a do 1º, em pontos) dos locais de votação, pela parcela de Lula na vizinhança no 1º turno. Abaixo de cada barra, os brancos e nulos do 1º turno. Ponderado pelos votos.
Olhando por lado, porém, o padrão é outro. A virada foi grande nas vizinhanças de Flávio (+6,1 pontos onde ele tinha mais de 75%, +7,3 entre 65% e 75%) e pequena nas vizinhanças de Lula (+2,1 onde Lula tinha mais de 75%). Não é a bolha que trava a mudança, são duas coisas mais simples. A primeira é o teto: onde Lula já tinha três quartos dos votos, sobrava pouco eleitor para converter. A segunda é a composição: as vizinhanças lulistas tinham menos brancos e nulos no 1º turno, e outras análises deste site já mostraram que foi desse estoque de votos sem dono que veio a maior parte da virada.
Para separar esses efeitos, comparamos locais da mesma cidade com o mesmo ponto de partida, a mesma parcela de brancos e nulos e de terceira via no 1º turno e o mesmo perfil de idade, escolaridade e sexo do eleitorado. Feita essa comparação, uma vizinhança fechada de Lula (com 75% para ele) teve −1,0 ponto de virada a menos que uma vizinhança meio a meio, e uma fechada de Flávio, −0,7. Na escala logit, que desconta o teto, os dois efeitos ficam ligeiramente positivos: o sinal se inverte. A vizinhança, sozinha, explicava 2% das diferenças de virada dentro das cidades; o modelo completo explica 32%, quase tudo pelos brancos e nulos, pelo ponto de partida e pelo perfil.
| Modelo (efeito fixo de município) | Vizinhança de Lula, 75% | Vizinhança de Flávio, 75% | R² dentro das cidades |
|---|---|---|---|
| A: só a vizinhança | −2,80 ± 1,23 | −0,23 ± 1,17 | 2% |
| B: + o próprio local | −1,40 ± 1,18 | −1,60 ± 1,10 | 4% |
| C: + brancos/nulos e terceira via | −0,89 ± 0,51 | −0,90 ± 0,60 | 20% |
| D: + perfil do eleitorado | −1,00 ± 0,19 | −0,65 ± 0,27 | 32% |
Diferença de virada, em pontos de margem, entre um local com vizinhança 75% de um lado e um com vizinhança meio a meio, com intervalo de 95% (erro agrupado por município). Modelo B acrescenta a parcela de Lula no próprio local no 1º turno; C, os brancos e nulos e a terceira via no 1º turno; D, a idade, a escolaridade, o sexo e o tamanho do eleitorado do local. 91.810 locais.
O resultado conversa com Martin e Webster (2020): se a semelhança entre vizinhos vem em boa parte da influência mútua, e não de muros intransponíveis, a mudança de voto pode se espalhar de uma vizinhança para outra. A virada de 2026 foi, nesse sentido, um fenômeno nacional, que andou por todos os tipos de vizinhança mais ou menos na proporção do que havia para mudar.
Conviver com o outro lado modera, mas pouco
A literatura sobre redes de conversa política sugere que quem vive entre os dois lados se expõe a mais argumentos cruzados e por isso vota de forma menos alinhada: hesita, escolhe uma terceira opção ou não escolhe ninguém (HUCKFELDT; SPRAGUE, 1995; MUTZ, 2006). Os dados de 2026 apontam nessa direção, com efeitos pequenos. Com o mesmo ponto de partida e o mesmo perfil, um local numa vizinhança meio a meio deu +0,7 ponto a mais à terceira via no 1º turno (Cury, Renan e Caiado) e teve +0,5 ponto a mais de brancos e nulos do que um local numa vizinhança 75% de um dos lados.
É um efeito de contexto, medido entre lugares, e não prova que o convívio muda a cabeça de ninguém (ROBINSON, 1950; KING, 1997). Mas é coerente com a ideia de que a vizinhança misturada produz o eleitor ambivalente, e com o achado de que foi justamente esse eleitor, o dos brancos, dos nulos e da terceira via, que decidiu o 2º turno. A meta-análise de Pettigrew e Tropp (2006) mostra que o contato entre grupos reduz o preconceito mesmo fora das condições ideais descritas por Allport (1954); Enos (2017) lembra que a proximidade sem contato real, a de quem só se vê de longe, pode ter o efeito oposto e acirrar a hostilidade. As cidades de muros ficam desse lado da fronteira.
A separação é de classe ou de política?
Parte da separação política entre bairros é só reflexo da separação social: se a escolaridade prevê o voto, e as pessoas moram separadas por renda, os votos também moram separados. Para medir quanto, comparamos a separação real de cada cidade com a que se preveria só pela idade, pela escolaridade e pelo sexo do eleitorado de cada local, usando o perfil do eleitorado por seção do TSE. A renda não está no cadastro, e a escolaridade faz as vezes dela.
Nas cidades grandes, o perfil explica uma parte considerável, mas não a maior parte: a mediana é de 40% com a relação entre perfil e voto média do país, e de 63% com a relação estimada em cada cidade, que é um teto, porque infla nas cidades com poucos locais. Dentro das cidades, o perfil explica 32% das diferenças de voto entre locais. Em Teresina e Salvador, com a relação estimada na própria cidade, o perfil prevê 88% e 77% da separação: ela é quase toda social. No Rio de Janeiro, o perfil explica só entre 2% e 21%: a Rocinha e a Gávea votaram em Lula (77% e 76%), a Vila Militar e a Barra da Tijuca em Flávio (19% e 30%). A linha que corta o Rio separa a Zona Sul e o Centro da Zona Oeste e das áreas militares, e não o rico do pobre.
É o que Layton, Smith, Moseley e Cohen (2021) chamaram de polarização demográfica em 2018: divisões de gênero, religião e raça que o voto brasileiro não tinha antes, e que se somam à clivagem de renda que Samuels e Zucco (2018) e Nicolau (2020) descrevem. A geografia dentro das cidades guarda as duas coisas. Onde a cidade é segregada por classe, o voto segue a classe; onde há identidades territoriais fortes, como no Rio, o voto segue o território.
Um país dividido no mapa, misturado na rua
A imagem de um Brasil partido em bolhas é verdadeira na escala do país e falsa na escala da rua. O eleitor típico de Lula vota numa escola cuja vizinhança deu 44% dos votos a Flávio, e o eleitor típico de Flávio, numa onde 46% votaram em Lula. A separação que existe é sobretudo regional, herdeira do realinhamento de 2006, e diminuiu desde 2018 à medida que o Sudeste voltou a ser disputado. Dentro das cidades, ela é pequena e caiu na maioria delas.
As quatro escalas contam a mesma história de ângulos diferentes. Nas regiões e nos estados, os blocos continuam nítidos, e o correlograma mostra que a semelhança do voto se estende por centenas de quilômetros. Nos municípios, o voto é organizado em grandes agrupamentos, com pouquíssimas exceções. Nas cidades, a separação é pequena e a correlação entre locais vizinhos, moderada. De 2018 a 2026, a mistura avançou nas escalas menores, a dos estados por dentro e a dos locais, enquanto os blocos maiores se mantiveram.
Há duas exceções que merecem atenção. A primeira são as cidades de condomínios, como Nova Lima, onde a separação política cresce junto com os muros. A segunda são as cidades do agronegócio, onde o centro e os distritos votam como dois países. Nos dois casos, a separação física se soma à social, o arranjo que a literatura associa a mais hostilidade entre grupos (ENOS, 2017).
E a virada de 2026 mostra que as bolhas que existem são porosas. A mudança de voto entre os turnos andou por vizinhanças lulistas, bolsonaristas e mistas na proporção do que havia para mudar. Se a polarização afetiva cresceu, como mostram os surveys, ela convive com um eleitorado que ainda divide as mesmas escolas no domingo de eleição.
Como as contas foram feitas
- Locais de votação. Votação por seção do TSE (2018 e 2026; em 2022, os boletins de urna), casada com o cadastro de locais de votação de cada eleição pelo código da seção. O local é o prédio: coordenada arredondada a cerca de 10 metros dentro do município, o que junta zonas diferentes que votam na mesma escola. Ficam de fora os presos provisórios, as seções temporárias e de voto em trânsito, e as coordenadas a mais de 150 km do centro do município. Em 2018, 18,6% das seções não tinham coordenada, que foi completada com a coordenada de 2022 do local de mesmo nome no mesmo município. A cobertura final é de 92,6% das seções em 2018, 94,0% em 2022 e 98,8% em 2026.
- Vizinhança e isolamento. Para cada local, os vizinhos mais próximos (sem o próprio) até somar 10 mil votos nos dois candidatos. Isolamento = média, ponderada pelos votos do PT, da parcela do PT na vizinhança menos a mesma média ponderada pelos votos da direita (BROWN; ENOS, 2021). Com a parcela do próprio local no lugar da vizinhança, a medida é o η², que se decompõe em entre estados, entre municípios e dentro do município. Nas cidades, o η² é corrigido pelo valor esperado ao acaso.
- Cidades. Os 338 municípios com 100 mil habitantes ou mais na estimativa de população do IBGE (tabela 6579 do SIDRA, 2026), com a vizinhança restrita ao próprio município.
- Virada. Margem de Lula sobre Flávio no 2º turno menos a do 1º, por local, em pontos e em logit. Mínimos quadrados ponderados pelos votos, com efeito fixo de município e erro-padrão agrupado por município. Perfil: eleitores de 16 a 34 anos, de 60 anos ou mais, com ensino superior, com até o fundamental, mulheres (perfil do eleitorado por seção, TSE, julho de 2026), e o logaritmo dos votos.
- Escalas e correlação espacial. A decomposição usa o η² entre locais de votação dentro de cada grupo (Brasil, região, estado), corrigido pelo acaso, e o divide entre estados, municípios e locais pela média de cada nível. I de Moran global com pesos de k vizinhos mais próximos padronizados na linha (k = 4 para estados, 8 para municípios e locais) e pseudo-p por permutação. Correlograma: produto médio dos valores padronizados por faixa de distância, entre locais (por ordem de vizinhança, numa amostra de 20 mil locais) e entre municípios (pela distância entre os centros, todos os pares). LISA com permutação condicional (ANSELIN, 1995): 499 permutações nos municípios e 199 nos locais de cada município com 10 locais ou mais, p < 0,05, sem correção para comparações múltiplas. As estatísticas espaciais não ponderam por votos e usam só locais com 100 votos ou mais.
- Limites. O local de votação não é a casa do eleitor: muita gente continua votando perto de um endereço antigo, o que tende a subestimar a separação. Todas as medidas são de lugares, não de pessoas, e não permitem inferir o comportamento individual (ROBINSON, 1950; KING, 1997). O perfil do TSE não tem renda, e a raça só vem informada para uma minoria dos eleitores, por isso ficou de fora.
- Arquivos. bolhas.json, bolhas-municipios.json e os locais por estado em
bolhas-locais/; código, dados e LEIAME emanalise-bolhas/.
Referências
ALKMIM, Antonio Carlos; TERRON, Sonia Luiza. O Brasil é realmente um país polarizado? Análise das eleições presidenciais de 1989 a 2018. Estudos Avançados, v. 36, n. 106, p. 6-32, 2022.
ANSELIN, Luc. Local indicators of spatial association: LISA. Geographical Analysis, v. 27, n. 2, p. 93-115, 1995.
ALLPORT, Gordon W. The nature of prejudice. Cambridge, MA: Addison-Wesley, 1954.
BISHOP, Bill; CUSHING, Robert G. The big sort: why the clustering of like-minded America is tearing us apart. Boston: Houghton Mifflin, 2008.
BROWN, Jacob R.; ENOS, Ryan D. The measurement of partisan sorting for 180 million voters. Nature Human Behaviour, v. 5, n. 8, p. 998-1008, 2021.
CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo. São Paulo: Editora 34; Edusp, 2000.
CHEN, Jowei; RODDEN, Jonathan. Unintentional gerrymandering: political geography and electoral bias in legislatures. Quarterly Journal of Political Science, v. 8, n. 3, p. 239-269, 2013.
DUNCAN, Otis Dudley; DUNCAN, Beverly. A methodological analysis of segregation indexes. American Sociological Review, v. 20, n. 2, p. 210-217, 1955.
ENOS, Ryan D. The space between us: social geography and politics. Cambridge: Cambridge University Press, 2017.
FUKS, Mario; MARQUES, Pedro Henrique. Polarização e contexto: medindo e explicando a polarização política no Brasil. Opinião Pública, v. 28, n. 3, p. 560-593, 2022.
FUKS, Mario; RIBEIRO, Ednaldo; BORBA, Julian. From antipetismo to generalized antipartisanship: the impact of rejection of political parties on the 2018 vote for Bolsonaro. Brazilian Political Science Review, v. 15, n. 1, 2021.
HUCKFELDT, Robert; SPRAGUE, John. Citizens, politics, and social communication: information and influence in an election campaign. Cambridge: Cambridge University Press, 1995.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Estimativas da população residente: tabela 6579. Rio de Janeiro: IBGE, 2026. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/6579. Acesso em: 29 out. 2026.
JOHNSTON, Ron; MANLEY, David; JONES, Kelvyn. Spatial polarization of presidential voting in the United States, 1992-2012: the "big sort" revisited. Annals of the American Association of Geographers, v. 106, n. 5, p. 1047-1062, 2016.
KAPLAN, Ethan; SPENKUCH, Jörg L.; SULLIVAN, Rebecca. Partisan spatial sorting in the United States: a theoretical and empirical overview. Journal of Public Economics, v. 211, 104668, 2022.
KING, Gary. A solution to the ecological inference problem: reconstructing individual behavior from aggregate data. Princeton: Princeton University Press, 1997.
LAYTON, Matthew L.; SMITH, Amy Erica; MOSELEY, Mason W.; COHEN, Mollie J. Demographic polarization and the rise of the far right: Brazil's 2018 presidential election. Research & Politics, v. 8, n. 1, 2021.
MARQUES, Eduardo; TORRES, Haroldo (org.). São Paulo: segregação, pobreza e desigualdades sociais. São Paulo: Senac, 2005.
MARTIN, Gregory J.; WEBSTER, Steven W. Does residential sorting explain geographic polarization? Political Science Research and Methods, v. 8, n. 2, p. 215-231, 2020.
MASSEY, Douglas S.; DENTON, Nancy A. The dimensions of residential segregation. Social Forces, v. 67, n. 2, p. 281-315, 1988.
MORAN, P. A. P. Notes on continuous stochastic phenomena. Biometrika, v. 37, n. 1-2, p. 17-23, 1950.
MUMMOLO, Jonathan; NALL, Clayton. Why partisans do not sort: the constraints on political segregation. The Journal of Politics, v. 79, n. 1, p. 45-59, 2017.
MUTZ, Diana C. Hearing the other side: deliberative versus participatory democracy. Cambridge: Cambridge University Press, 2006.
NICOLAU, Jairo. O Brasil dobrou à direita: uma radiografia da eleição de Bolsonaro em 2018. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
OPENSHAW, Stan. The modifiable areal unit problem. Norwich: Geo Books, 1984. (Concepts and Techniques in Modern Geography, 38).
PETTIGREW, Thomas F.; TROPP, Linda R. A meta-analytic test of intergroup contact theory. Journal of Personality and Social Psychology, v. 90, n. 5, p. 751-783, 2006.
REARDON, Sean F.; O'SULLIVAN, David. Measures of spatial segregation. Sociological Methodology, v. 34, n. 1, p. 121-162, 2004.
ROBINSON, W. S. Ecological correlations and the behavior of individuals. American Sociological Review, v. 15, n. 3, p. 351-357, 1950.
RODDEN, Jonathan A. Why cities lose: the deep roots of the urban-rural political divide. New York: Basic Books, 2019.
SAMUELS, David J.; ZUCCO, Cesar. Partisans, antipartisans, and nonpartisans: voting behavior in Brazil. Cambridge: Cambridge University Press, 2018.
SOARES, Gláucio Ary Dillon; TERRON, Sonia Luiza. Dois Lulas: a geografia eleitoral da reeleição (explorando conceitos, métodos e técnicas de análise geoespacial). Opinião Pública, v. 14, n. 2, p. 269-301, 2008.
TERRON, Sonia Luiza; SOARES, Gláucio Ary Dillon. As bases eleitorais de Lula e do PT: do distanciamento ao divórcio. Opinião Pública, v. 16, n. 2, p. 310-337, 2010.
TOBLER, Waldo R. A computer movie simulating urban growth in the Detroit region. Economic Geography, v. 46, sup. 1, p. 234-240, 1970.
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (Brasil). Dados abertos: votação por seção eleitoral 2018, 2022 e 2026; eleitorado por local de votação 2018, 2022 e 2026; perfil do eleitorado por seção eleitoral 2026. Brasília: TSE, 2026. Disponível em: https://dadosabertos.tse.jus.br. Acesso em: 29 out. 2026.
VILLAÇA, Flávio. Espaço intra-urbano no Brasil. São Paulo: Studio Nobel; FAPESP; Lincoln Institute, 1998.
ZUCCO, Cesar. The president's "new" constituency: Lula and the pragmatic vote in Brazil's 2006 presidential elections. Journal of Latin American Studies, v. 40, n. 1, p. 29-49, 2008.
O que deu a vitória a Lula · A virada bairro a bairro nas capitais · Página inicial do Placar