Agregador ponderado · modelo probabilístico · Eleição presidencial 2026

Placar 2026

Análise da segregação política entre locais de votação, 2018 a 2026. A apuração, a projeção e a previsão estão na página inicial.
Atualizado em
29 out 2026 · locais de votação 2018 a 2026
1º turno 04 out · 2º turno 25 out
Daniel Pessini Sobreira · modelo, dados e painel
Análise · Placar 2026 · a geografia do voto

O país das bolhas

Quanto o eleitor de Lula e o de Flávio Bolsonaro vivem separados, rua a rua? Medimos a vizinhança de cada local de votação do país em três eleições presidenciais, usando o método que Brown e Enos aplicaram a 180 milhões de eleitores americanos. O resultado contraria a intuição de um país dividido em bolhas: a separação entre vizinhos caiu desde 2018, quase toda ela é regional, e a virada de 2026 não parou na fronteira das vizinhanças mais fechadas. O que separa os brasileiros, dentro das cidades, é menos a distância e mais o muro.

Daniel Pessini Sobreira · 29 de outubro de 2026 · votação por seção e locais de votação do TSE (2018, 2022 e 2026), perfil do eleitorado por seção, população do IBGE

  1. 15,9 → 9,7pontos de isolamento entre o eleitor do PT e o da direita, do 2º turno de 2018 ao de 2026.
  2. 85%da separação está entre estados e entre cidades. Só 15% está entre vizinhos da mesma cidade.
  3. −1,0ponto de virada numa vizinhança fechada de Lula, com o mesmo perfil e o mesmo ponto de partida. Na escala que desconta o teto, nada.

No 2º turno de 2026, Lula teve 77,5% dos votos dados aos dois candidatos na escola municipal Nossa Senhora de Fátima, no Bom Jesus, em Porto Alegre. A 1,8 quilômetro dali, no Colégio Farroupilha, em Três Figueiras, teve 30,1%. Em São Paulo, o CEU Paraisópolis deu 74,2% a Lula; um colégio do Jardim Morumbi, a 1,2 quilômetro, deu 37,3%. Em Salvador, 82,4% na Santa Cruz e 47,2% no Itaigara, a 1,5 quilômetro. Cenas assim alimentam a ideia de um país partido em bolhas que não se tocam. Esta análise pergunta quanto isso é verdade, e se piorou.

1 · A pergunta

Por que a vizinhança importa

A opinião política não se forma no vazio. Desde os estudos de Huckfeldt e Sprague (1995) em South Bend, sabe-se que o eleitor absorve informação e preferências das conversas com quem está por perto, e que o bairro molda essas conversas. Mutz (2006) mostrou o outro lado da moeda: quem convive com quem pensa diferente tolera mais, mas também hesita mais e participa menos. A hipótese do contato, de Allport (1954), testada em mais de 500 estudos por Pettigrew e Tropp (2006), diz que o convívio entre grupos reduz o preconceito. Se o eleitor de Lula e o de Flávio moram em mundos separados, cada um desses mecanismos trabalha a favor da polarização.

Nos Estados Unidos, essa preocupação ganhou um nome, the big sort: a tese de Bishop e Cushing (2008) de que os americanos estariam se mudando para perto de quem vota como eles. A tese foi contestada. Mummolo e Nall (2017) mostraram que, quando se mudam, as pessoas pesam preço, segurança e tempo de deslocamento muito mais que a política do bairro. Martin e Webster (2020) calcularam que a preferência partidária na escolha da casa é cerca de cinco vezes pequena demais para produzir a separação observada, o que sugere que os vizinhos se parecem porque se influenciam, e não só porque se escolhem. Mesmo assim, a separação existe e cresceu: Johnston, Manley e Jones (2016) a documentam entre condados de 1992 a 2012, e Kaplan, Spenkuch e Sullivan (2022) mostram um aumento forte desde meados do século XX.

No Brasil, a geografia do voto presidencial foi estudada sobretudo entre municípios e estados. Soares e Terron (2008) e Zucco (2008) mostraram como a reeleição de Lula, em 2006, deslocou a base do PT para os municípios mais pobres do Norte e do Nordeste; Terron e Soares (2010) chamaram de "divórcio" a separação entre os territórios de Lula e os do PT. Alkmim e Terron (2022) concluíram que o país é polarizado do ponto de vista eleitoral, com padrões territoriais marcados. O que ninguém tinha medido é a escala da rua: com quem cada eleitor divide o bairro. É o que os dados do TSE permitem agora, porque o cadastro dos locais de votação traz a latitude e a longitude de quase todas as escolas onde se vota.

Este texto percorre quatro escalas, da maior para a menor: as cinco regiões, os 27 estados, os 5.570 municípios e, dentro das cidades, os locais de votação. Em cada uma, a pergunta é a mesma, quanto o eleitor de um lado vive perto do outro, e a ferramenta muda conforme a escala. É a forma de lidar com uma advertência antiga da geografia: a separação que se vê depende da lente com que se olha (OPENSHAW, 1984; REARDON; O'SULLIVAN, 2004).

2 · Como medir

A vizinhança de cada local de votação

A unidade é o prédio onde se vota: 91.810 locais em 2026, com a votação somada de todas as seções que funcionam ali. Para cada um, definimos a vizinhança como os locais mais próximos, sem contar o próprio, até juntar 10 mil votos dados a Lula ou a Flávio (ou a Haddad e Bolsonaro em 2018, e a Lula e Bolsonaro em 2022). Numa capital, isso é um raio de um ou dois quilômetros; no interior pouco povoado, pode passar de 20. O raio mediano em 2026 foi de 5,9 km.

A medida principal é a que Brown e Enos (2021) chamam de isolamento, e que a sociologia urbana conhece como a diferença entre os índices de exposição (MASSEY; DENTON, 1988): a parcela de votos do PT na vizinhança do eleitor típico do PT, menos a mesma parcela na vizinhança do eleitor típico da direita. Se os dois vivessem misturados ao acaso, a diferença seria zero. Se vivessem em mundos totalmente separados, seria 100.

Toda medida de segregação depende do tamanho da unidade escolhida, o problema da unidade de área modificável de Openshaw (1984). Por isso repetimos a conta com vizinhanças de 2,5 mil, 25 mil e 100 mil votos e com raios fixos de 1, 2 e 5 km, seguindo a recomendação de Reardon e O'Sullivan (2004) de medir a segregação em várias escalas. Os níveis mudam pouco, e a ordem entre as eleições não muda em nenhuma delas.

Vizinhança2018, 2º turno2022, 2º turno2026, 1º turno2026, 2º turno
10 mil votos, sem o próprio local (principal)15,910,010,89,7
2,5 mil eleitores16,310,311,110,0
10 mil, com o próprio local16,110,210,99,8
25 mil eleitores15,69,810,59,4
100 mil eleitores14,89,29,98,9
raio de 1 km13,98,79,38,4
raio de 2 km14,18,89,68,6
raio de 5 km15,39,610,39,2

Isolamento em pontos: parcela do PT na vizinhança do eleitor típico do PT menos a do eleitor típico da direita, só com os votos nos dois candidatos.

Duas ferramentas completam a medida. A primeira decompõe a separação: a variação do voto entre os locais de votação (o η², a parcela da variância que se deve ao lugar) pode ser dividida entre a parte que existe porque os estados votam diferente, a que existe porque os municípios de um mesmo estado votam diferente e a que sobra entre os locais de um mesmo município. A segunda é a correlação espacial. A "primeira lei da geografia" de Tobler (1970) diz que tudo se relaciona com tudo, mas as coisas próximas se relacionam mais. O I de Moran (MORAN, 1950) mede quanto: vai de −1 a 1, e é positivo quando lugares vizinhos votam parecido. Os indicadores locais de associação espacial, o LISA de Anselin (1995), dizem onde: apontam os agrupamentos de lugares de voto forte do PT cercados de lugares iguais (alto-alto), os de voto forte da direita (baixo-baixo) e as exceções, lugares que votam ao contrário dos vizinhos.

3 · O país

O país ficou menos dividido entre vizinhos

No 2º turno de 2018, o eleitor típico de Haddad vivia numa vizinhança onde 52,3% dos votos foram para o PT; o de Bolsonaro, numa onde só 36,4% foram. A diferença era de 15,9 pontos. Em 2022 caiu para 10,0, subiu um pouco no 1º turno de 2026 (10,8) e chegou a 9,7 no 2º turno, o menor valor da série.

Carregando o gráfico…

Parcela do PT nos votos dados aos dois candidatos, na vizinhança média de cada eleitorado. No 1º turno, só os votos nos dois que foram ao 2º turno. A distância entre os pontos é o isolamento.

O sentido é o oposto do americano. Enquanto lá a separação geográfica cresceu por décadas (JOHNSTON; MANLEY; JONES, 2016; KAPLAN; SPENKUCH; SULLIVAN, 2022), aqui ela recuou em oito anos de eleições muito disputadas. A explicação está menos na rua que no mapa: em 2018, o Sudeste e o Sul votaram em bloco em Bolsonaro, e o Nordeste em bloco em Haddad. Em 2022 e 2026, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro passaram a ser disputados, e um eleitor de Lula em Campinas ou em Juiz de Fora deixou de ser raro.

Isso não quer dizer que os brasileiros ficaram menos polarizados. Fuks e Marques (2022) encontraram polarização afetiva, a antipatia pelo outro lado, muito mais visível em 2018, e Fuks, Ribeiro e Borba (2021) mostraram como o antipetismo se tornou um antipartidarismo mais amplo. O que os dados mostram é que essa antipatia não se traduz numa separação física maior. Lulistas e bolsonaristas continuam a votar nas mesmas escolas, e cada vez mais.

4 · Escala regional

A divisão é entre regiões, não entre vizinhos

Toda a separação pode ser decomposta em três partes: a que existe porque os estados votam diferente, a que existe porque as cidades de um mesmo estado votam diferente, e a que existe entre locais da mesma cidade. No 2º turno de 2026, 56% da separação estava entre estados, 29% entre municípios do mesmo estado e só 15% dentro dos municípios.

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Decomposição da variância da parcela do PT entre locais de votação (η², ponderado pelos votos nos dois candidatos), 2º turno de cada eleição.

É o retrato do realinhamento que Soares e Terron (2008) e Zucco (2008) descreveram a partir de 2006, quando a base do PT migrou para os municípios mais pobres e para o Nordeste. Também ajuda a entender por que o Brasil não repete a fratura cidade × campo que Rodden (2019) e Chen e Rodden (2013) mostram nos Estados Unidos, onde os democratas se concentram nos centros urbanos. Aqui o PT vence nas periferias das metrópoles, no sertão e na Amazônia ribeirinha ao mesmo tempo, e perde no agronegócio do Centro-Oeste e em boa parte do interior do Sul. A linha que separa os dois eleitorados passa mais entre estados e regiões do que entre bairros.

As cinco regiões

Olhando cada região por dentro, a separação caiu em todas desde 2018 e tem formas diferentes. O Norte é a região internamente mais dividida (11,6 em 2026, contra 15,8 em 2018), com metade da separação entre municípios do mesmo estado. O Nordeste, tão lulista quanto homogêneo, caiu de 11,1 para 6,2. O Sudeste é a região mais misturada (4,6), e o Centro-Oeste é onde a separação mais acontece dentro dos municípios (46%), em parte porque o Distrito Federal é um município só.

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Separação entre locais de votação dentro de cada região (η² × 100, corrigido pelo acaso), 2º turno de 2026, dividida entre estados, entre municípios do mesmo estado e dentro dos municípios. O traço é o valor de 2018.

Região20182026Entre estadosEntre municípiosDentro dos municípios
Norte15,811,628%50%22%
Nordeste11,16,27%62%31%
Sudeste6,14,63%63%34%
Sul8,05,915%55%30%
Centro-Oeste5,74,414%40%46%

Até onde vai a semelhança

O correlograma mostra o I de Moran a distâncias crescentes: entre cada local de votação e os seus vizinhos mais próximos, e entre municípios cada vez mais afastados. A semelhança é altíssima de perto (um local de votação e o seu vizinho mais próximo têm I de 0,89), diminui devagar e ainda é forte entre municípios a 400 ou 800 km um do outro (0,58). Ela some entre 800 e 1.600 km (0,07) e se inverte além disso (−0,59): é a distância que separa o Nordeste lulista do Sul e do Centro-Oeste, onde a direita vence. A primeira lei de Tobler vale aqui em escala continental.

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I de Moran da parcela do PT por faixa de distância, no 2º turno de cada eleição. No primeiro painel, entre locais de votação (do 1º ao 500º vizinho mais próximo, numa amostra de 20 mil locais; a posição é a distância mediana da faixa). No segundo, entre municípios (faixas de distância entre os centros). Distância em escala logarítmica; cada painel tem a sua escala vertical.

As duas curvas contam histórias diferentes. Entre locais de votação, a semelhança com os vizinhos caiu em todas as distâncias de 2018 a 2026: do 101º ao 500º vizinho, que estão a uma mediana de 52 km, o I foi de 0,75 para 0,69. Entre municípios, caiu em 2022 e voltou em 2026 ao nível de 2018 (de 0,92 para 0,88 e 0,93 entre municípios a menos de 50 km). O Brasil de 2026 tem blocos regionais tão nítidos quanto os de 2018, mas mais mistura dentro deles.

5 · Escala estadual

Os estados: menos divididos, cada um a seu modo

Dentro de cada estado, a separação entre locais de votação caiu em 24 dos 27 de 2018 para 2026. As maiores quedas foram no Amazonas e em Alagoas (−8,7 e −7,8 pontos). A separação só subiu no Distrito Federal, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, e pouco: no máximo 0,6 ponto. Entre os estados, a semelhança do voto também diminuiu: o I de Moran entre estados vizinhos foi de 0,75 em 2018 para 0,69 em 2026.

O mapa mostra também onde a separação mora. Em Alagoas e na Paraíba, 88% e 85% dela está entre municípios: cidades inteiras votam diferente das vizinhas, e dentro de cada uma o eleitorado é parecido. No outro extremo, em Mato Grosso do Sul e no Amapá, a maior parte (74% e 68%) está dentro dos municípios, em boa parte porque o eleitorado se concentra numa capital grande e diversa. O Distrito Federal, um único município, tem toda a sua separação, pequena, dentro dele.

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Separação entre locais de votação dentro de cada estado (η² × 100, corrigido pelo acaso), no 2º turno. Passe o cursor sobre o estado para ver os números.

6 · Escala municipal

Os municípios: blocos nítidos, e alguns rachados por dentro

Na escala dos municípios, o voto é um dos fenômenos geograficamente mais organizados que se pode medir. O I de Moran da parcela do PT entre os 5.570 municípios foi de 0,90 em 2026 (0,90 em 2018 e 0,88 em 2022). O LISA identifica 1.908 municípios num agrupamento de voto forte do PT, quase todos no Nordeste e em Minas Gerais, e 1.999 num agrupamento de voto forte da direita, em São Paulo, no Sul, em Goiás, em Mato Grosso, em Rondônia e em parte de Minas Gerais. As exceções, municípios que votam ao contrário dos vizinhos, são só 36.

A separação dentro dos municípios também tem geografia, mais fraca (I de Moran de 0,28). Os municípios internamente divididos se agrupam: há 241 num agrupamento de separação alta, sobretudo no Maranhão (47), no Pará (40), no Rio Grande do Sul (34), em Mato Grosso do Sul (22) e em Mato Grosso (19). A variação da separação de 2018 a 2026 quase não tem padrão espacial (I de 0,09): a mistura avançou de forma difusa pelo país.

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Municípios no 2º turno de 2026. Separação: η² × 100 entre os locais de votação do município, corrigido pelo acaso, só nos municípios com 5 locais ou mais. LISA com 8 vizinhos mais próximos, 499 permutações e p < 0,05. As linhas mais grossas são as divisas estaduais.

I de Moran da parcela do PT201820222026Unidades (2026)
Estados (4 vizinhos)0,750,680,6927
Municípios (8 vizinhos)0,900,880,905.566
Locais de votação (8 vizinhos)0,900,870,8688.755

Pesos de k vizinhos mais próximos, padronizados na linha. Todos os valores têm pseudo-p ≤ 0,01 por permutação (999 permutações para estados e municípios, 99 para locais). Locais com 100 votos ou mais nos dois candidatos.

7 · Escala intraurbana

Dentro das cidades: pouca distância, muitos muros

Nas 338 cidades com mais de 100 mil habitantes, medimos a separação só entre os locais da própria cidade. Ela é pequena: a mediana do isolamento por local foi de 1,1 ponto em 2026, contra 1,6 em 2018. Entre 2018 e 2022 a separação caiu em 281 das 330 cidades com dados nas três eleições, e entre 2018 e 2026 em 274.

A correlação espacial dentro das cidades confirma o quadro. O I de Moran entre os locais de votação de cada cidade, com os 8 locais mais próximos como vizinhos, tem mediana de 0,30 em 2026 (0,31 em 2018): os locais vizinhos votam parecido, mas muito menos do que municípios vizinhos (0,90). Em todo o país, o LISA dentro de cada município encontra 7.244 locais de votação em agrupamentos de voto forte do PT, 12.009 em agrupamentos de voto forte da direita e 3.282 exceções, locais que votam ao contrário da vizinhança, como os do começo deste texto. O mapa da seção 8 mostra cada um deles.

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Isolamento dentro de cada cidade (η² entre locais de votação, corrigido pelo acaso), 2º turno de 2018 e de 2026, em escala de raiz quadrada. Abaixo da diagonal, a cidade ficou menos separada. Passe o cursor para ver o nome.

As mais divididas são de dois tipos. O primeiro é a cidade com grande zona rural ou com um polo do agronegócio, onde o centro urbano vota de um jeito e os distritos de outro: Santarém (PA), Luís Eduardo Magalhães (BA), Sorriso (MT), Dourados (MS), Paragominas (PA). O segundo é a cidade dos condomínios fechados. Nova Lima, na Grande Belo Horizonte, é o caso extremo e o único que se fechou de forma contínua: o isolamento foi de 1,8 em 2018 para 5,7 em 2022 e 7,1 em 2026, a maior alta do país. Na Vila da Serra, Lula teve 19,4% dos votos nos dois; no Alphaville, 22,5%; no Galo Novo, bairro antigo da cidade, 64,1%.

Nova Lima é a ilustração quase literal do que Teresa Caldeira (2000) chamou de enclaves fortificados: a elite que deixa o centro para condomínios murados, perto dos pobres no mapa e longe deles em tudo o mais. Villaça (1998) mostrou que a segregação nas metrópoles brasileiras é comandada pelo deslocamento das elites, e Marques e Torres (2005) documentaram, em São Paulo, a convivência entre proximidade física e distância social. As cenas do começo deste texto, Paraisópolis ao lado do Morumbi, o Bom Jesus ao lado de Três Figueiras, são esse padrão. Uma medida de vizinhança de 10 mil votos mistura os dois lados do muro e por isso registra pouca separação. A separação brasileira dentro das cidades é de muros, não de quilômetros.

As capitais

Entre as capitais, o Rio de Janeiro é a mais dividida (3,3), seguida de Florianópolis, Teresina, São Paulo e Porto Alegre. Teresina e São Paulo foram as que mais se misturaram: de 5,7 e 5,0 em 2018 para 2,9 e 2,8 em 2026. Maceió, Rio Branco e Manaus têm as menores separações internas.

#CidadePopulação (mil)Lula no 2º turnoIsolamento 201820222026DissimilaridadeParte do perfil
41Rio de Janeiro RJ6.73151,5%3,03,23,3152%
50Florianópolis SC59848,3%2,52,92,91316%
51Teresina PI90868,1%5,73,52,91440%
52São Paulo SP11.91155,5%5,03,02,81432%
53Porto Alegre RS1.38955,9%2,42,42,81439%
64São Luís MA1.09062,1%4,02,62,61425%
73Salvador BA2.56073,2%4,22,32,31236%
87Vitória ES34448,2%3,31,72,01241%
91Campo Grande MS97138,9%2,81,91,91253%
103Porto Velho RO52038,9%2,51,71,785%
117Macapá AP49250,9%3,11,81,6724%
129Cuiabá MT69940,4%3,21,61,51044%
150Recife PE1.58961,2%2,21,21,3935%
151Palmas TO33339,6%2,91,41,31043%
165Natal RN78356,0%1,51,11,2869%
187Goiânia GO1.51237,4%1,20,91,1917%
194Belém PA1.39655,0%1,90,91,0840%
195Brasília DF3.01045,7%0,81,01,080%
200Curitiba PR1.83237,7%1,00,91,0721%
203Belo Horizonte MG2.41549,2%0,90,91,0742%
205Fortaleza CE2.58260,1%1,70,81,0844%
215Boa Vista RR50124,0%1,80,80,970%
225Aracaju SE62361,9%1,40,70,9784%
230João Pessoa PB90653,8%1,40,70,8851%
267Manaus AM2.32744,2%2,00,60,7650%
280Rio Branco AC39033,4%0,60,60,670%
293Maceió AL99548,0%0,80,30,5689%

Isolamento entre locais de votação da cidade (η² × 100, corrigido pelo acaso). Dissimilaridade: parcela dos eleitores de um dos lados que teria de votar em outro local para que todos os locais tivessem a mesma composição (DUNCAN; DUNCAN, 1955). Parte do perfil: quanto da separação a idade, a escolaridade e o sexo do eleitorado de cada local preveem (seção 11). A posição (#) é entre as 338 cidades.

As mais divididas

#CidadePopulação (mil)Lula no 2º turnoIsolamento 201820222026DissimilaridadeParte do perfil
1Santarém PA36445,2%18,413,98,52114%
2Luís Eduardo Magalhães BA12038,4%9,98,27,42434%
3Nova Lima MG12351,5%1,85,77,12017%
4Sorriso MT12924,3%9,37,76,72633%
5Bacabal MA10866,6%9,07,06,42238%
6Dourados MS26737,3%9,45,76,41640%
7Paragominas PA11441,3%8,66,26,01934%
8Santana de Parnaíba SP16544,7%6,76,46,02034%
9Ituiutaba MG10754,0%4,55,05,42034%
10Aracruz ES10444,3%8,55,55,21714%
11Itapipoca CE13875,2%7,55,55,22222%
12Francisco Beltrão PR10342,7%7,96,05,02032%
13Barreiras BA17356,7%7,85,04,91943%
14São Mateus ES13553,8%6,64,54,81837%
15Cametá PA14678,4%8,94,74,72346%
Ver as 338 cidades
#CidadePopulação (mil)Lula no 2º turnoIsolamento 201820222026DissimilaridadeParte do perfil
1Santarém PA36445,2%18,413,98,52114%
2Luís Eduardo Magalhães BA12038,4%9,98,27,42434%
3Nova Lima MG12351,5%1,85,77,12017%
4Sorriso MT12924,3%9,37,76,72633%
5Bacabal MA10866,6%9,07,06,42238%
6Dourados MS26737,3%9,45,76,41640%
7Paragominas PA11441,3%8,66,26,01934%
8Santana de Parnaíba SP16544,7%6,76,46,02034%
9Ituiutaba MG10754,0%4,55,05,42034%
10Aracruz ES10444,3%8,55,55,21714%
11Itapipoca CE13875,2%7,55,55,22222%
12Francisco Beltrão PR10342,7%7,96,05,02032%
13Barreiras BA17356,7%7,85,04,91943%
14São Mateus ES13553,8%6,64,54,81837%
15Cametá PA14678,4%8,94,74,72346%
16Barcarena PA14165,4%7,04,44,61735%
17Guarapuava PR19143,6%7,85,14,51744%
18Bragança PA13363,5%7,94,84,41834%
19Santa Cruz do Sul RS13837,8%5,84,54,41637%
20Caxias MA16474,5%6,44,54,21957%
21Toledo PR16331,4%5,24,74,21815%
22Passos MG11747,6%3,24,14,21733%
23Vitória da Conquista BA39958,8%6,94,24,11663%
24Teixeira de Freitas BA15449,9%5,84,24,11846%
25Eunápolis BA12254,5%7,75,04,01745%
26Abaetetuba PA17475,2%6,03,93,91948%
27Balsas MA10644,9%6,24,73,91639%
28Codó MA11877,2%5,04,13,91962%
29Lauro de Freitas BA22167,2%7,34,33,81740%
30Linhares ES18640,0%4,93,23,81541%
31Parintins AM10282,8%5,34,13,72146%
32Açailândia MA11143,8%7,24,43,71636%
33Chapecó SC28935,2%5,94,33,71640%
34Pelotas RS33655,3%2,43,33,7140%
35Cascavel PR37233,2%6,34,23,61739%
36Juazeiro BA25868,4%6,44,43,61750%
37Breves PA11765,2%4,23,43,51433%
38Petrolina PE42267,7%6,13,73,51651%
39Itacoatiara AM11564,6%6,03,13,31527%
40Rio Verde GO24534,0%5,54,23,31636%
41Rio de Janeiro RJ6.73151,5%3,03,23,3152%
42Feira de Santana BA66364,1%4,93,43,11545%
43Porto Seguro BA18456,3%6,53,43,11446%
44Campo Mourão PR10537,5%4,23,53,11643%
45Santo Antônio de Jesus BA11067,3%4,53,53,01548%
46Marabá PA29345,5%5,73,73,01433%
47Governador Valadares MG26639,6%4,73,43,01440%
48Paulo Afonso BA12079,3%4,03,13,01777%
49Manacapuru AM11356,1%4,23,12,91220%
50Florianópolis SC59848,3%2,52,92,91316%
51Teresina PI90868,1%5,73,52,91440%
52São Paulo SP11.91155,5%5,03,02,81432%
53Porto Alegre RS1.38955,9%2,42,42,81439%
54Montes Claros MG44149,9%4,13,42,81338%
55Barueri SP33649,2%3,12,62,81230%
56São Bernardo do Campo SP84355,4%5,43,32,81535%
57Jequié BA17064,8%4,62,92,71362%
58Tangará da Serra MT11726,8%4,82,32,71437%
59Ji-Paraná RO14126,8%3,52,12,7837%
60Uberaba MG35947,1%3,13,02,71442%
61Rondonópolis MT26834,2%3,83,02,71337%
62Araguaína TO18441,3%4,93,42,71436%
63Teófilo Otoni MG14352,7%––2,71244%
64São Luís MA1.09062,1%4,02,62,61425%
65Barbacena MG13056,8%3,43,12,61453%
66Sobral CE21867,4%4,32,62,51435%
67Arapiraca AL24455,6%4,02,12,51349%
68Ilhéus BA18963,7%5,32,22,51354%
69Garanhuns PE15274,9%3,52,62,51358%
70Parauapebas PA31240,4%4,72,52,41042%
71Muriaé MG10948,1%3,62,52,31230%
72Colatina ES13036,6%1,72,12,31339%
73Salvador BA2.56073,2%4,22,32,31236%
74Várzea Grande MT32342,6%3,92,62,21328%
75Timon MA18372,7%3,62,52,21349%
76Imperatriz MA28645,6%3,62,32,21135%
77Sertãozinho SP13343,4%2,02,42,21249%
78Formosa GO12342,8%3,62,02,21241%
79Leme SP10236,0%2,52,12,11456%
80Passo Fundo RS21541,5%3,42,72,11256%
81Jataí GO11333,9%3,82,32,11252%
82Uberlândia MG76847,6%2,72,22,11146%
83Erechim RS11030,8%3,52,62,11256%
84Luziânia GO22442,2%2,81,82,01232%
85Parnaíba PI17167,1%3,72,12,01257%
86Araxá MG12044,4%1,71,82,01246%
87Vitória ES34448,2%3,31,72,01241%
88Bento Gonçalves RS12824,2%1,91,92,01239%
89Bagé RS12253,3%2,01,91,91159%
90Itumbiara GO11437,9%2,72,31,91152%
91Campo Grande MS97138,9%2,81,91,91253%
92Crato CE14081,8%3,82,41,91567%
93Lagarto SE10672,1%––1,91349%
94Angra dos Reis RJ17937,9%1,72,01,9110%
95Sinop MT23122,3%3,62,11,91453%
96Altamira PA14038,3%2,21,51,91136%
97Itapecerica da Serra SP16358,0%3,41,91,91219%
98São José de Ribamar MA26165,1%2,82,01,91123%
99Araçatuba SP20933,1%2,42,11,91150%
100Caxias do Sul RS48033,5%2,01,91,81136%
101Patos de Minas MG17035,2%2,4–1,81143%
102Paço do Lumiar MA15464,2%––1,81238%
103Porto Velho RO52038,9%2,51,71,785%
104Castanhal PA21148,7%3,21,91,71055%
105Apucarana PR13530,5%2,11,61,71247%
106São Cristóvão SE11268,9%3,42,01,71167%
107Guarulhos SP1.35148,9%3,21,91,71131%
108Santa Maria RS28248,2%1,51,61,71030%
109Caruaru PE40859,6%2,51,61,71064%
110Itaituba PA13733,0%3,82,41,7923%
111Planaltina GO11450,5%2,01,51,71141%
112Campinas SP1.19045,8%2,51,81,71036%
113Caldas Novas GO10936,1%2,01,31,71144%
114Ariquemes RO11021,8%2,81,61,61363%
115Divinópolis MG24544,9%1,31,71,61043%
116Santo André SP78449,7%2,61,61,61038%
117Macapá AP49250,9%3,11,81,6724%
118São Gonçalo do Amarante RN12660,7%2,81,81,6946%
119Taboão da Serra SP28659,1%2,11,91,61141%
120Juazeiro do Norte CE30874,0%2,41,71,61147%
121Santa Rita PB16260,1%2,41,61,61156%
122Presidente Prudente SP23533,5%1,51,51,61047%
123Santos SP43047,8%2,01,51,61054%
124Umuarama PR12429,1%3,11,81,61254%
125Alagoinhas BA16272,0%––1,61069%
126Caucaia CE38163,1%2,81,51,51037%
127Araguari MG12438,3%1,81,51,51151%
128Ribeirão Preto SP73542,2%2,31,61,51054%
129Cuiabá MT69940,4%3,21,61,51044%
130Campina Grande PB44755,7%2,11,41,51065%
131Vila Velha ES51142,2%2,00,91,5959%
132Itaperuna RJ10736,5%2,32,01,51027%
133Lages SC17333,2%2,51,81,41073%
134Maranguape CE10865,6%2,51,81,41133%
135Itabira MG11855,2%2,82,11,4948%
136Catanduva SP11931,6%2,01,61,41044%
137Lavras MG11149,1%1,31,51,4949%
138Niterói RJ51755,1%1,41,21,41019%
139Cubatão SP11555,0%1,61,41,41048%
140Campo Largo PR14635,4%3,01,81,41045%
141Foz do Iguaçu PR29937,0%2,51,41,41046%
142Ubá MG10852,1%1,41,21,41038%
143Teresópolis RJ17736,0%0,71,31,490%
144Conselheiro Lafaiete MG14056,4%2,01,51,4945%
145Sumaré SP29243,4%2,11,61,41028%
146Iguatu CE10380,5%2,51,71,41350%
147Cariacica ES37746,6%2,51,41,41048%
148Assis SP10537,4%1,31,41,4947%
149Sabará MG13553,1%1,11,61,3100%
150Recife PE1.58961,2%2,21,21,3935%
151Palmas TO33339,6%2,91,41,31043%
152Maringá PR43333,0%1,61,41,3926%
153Barretos SP12738,7%1,31,31,31031%
154Sarandi PR13042,1%1,81,41,31043%
155Araucária PR16444,4%1,31,11,380%
156Londrina PR58430,8%1,91,01,3848%
157Nova Serrana MG11726,5%1,71,31,21229%
158Guarapari ES13837,4%2,61,21,2976%
159Embu das Artes SP26058,4%2,01,41,2819%
160Itabaiana SE11063,8%0,90,81,2973%
161Magé RJ24442,3%1,11,11,290%
162Osasco SP76152,4%2,51,41,2943%
163Camboriú SC12128,1%1,61,51,21042%
164Patos PB10866,3%2,11,41,21067%
165Natal RN78356,0%1,51,11,2869%
166Arapongas PR12625,3%1,31,11,21044%
167Várzea Paulista SP12042,1%1,81,11,2843%
168Simões Filho BA12074,2%––1,21153%
169Campos dos Goytacazes RJ51942,1%1,11,51,290%
170Praia Grande SP37144,5%2,11,31,2964%
171Viamão RS23254,8%0,80,91,286%
172Itabuna BA19656,3%2,00,91,1865%
173Araraquara SP25552,1%1,71,21,1952%
174Itaboraí RJ24045,8%1,30,91,1927%
175Piracicaba SP44334,6%1,11,01,1828%
176Cotia SP29251,2%1,31,11,1830%
177Itaúna MG10434,9%0,81,01,1934%
178Três Lagoas MS14641,0%1,51,31,1959%
179Pará de Minas MG10435,2%1,11,11,1848%
180Canoas RS36046,6%1,21,11,1877%
181Juiz de Fora MG57057,7%1,61,21,1954%
182Hortolândia SP25045,4%1,61,21,1936%
183Mogi das Cruzes SP47245,7%1,71,01,1839%
184Anápolis GO42529,7%1,81,51,11056%
185Ponta Grossa PR37936,0%1,41,01,1837%
186Varginha MG14541,8%0,60,81,1846%
187Goiânia GO1.51237,4%1,20,91,1917%
188Pouso Alegre MG16341,9%0,60,91,1827%
189Rio Grande RS19963,9%1,00,91,1837%
190São Carlos SP26748,9%1,41,11,0822%
191Ipojuca PE10774,6%1,61,11,01030%
192Cachoeiro de Itapemirim ES19832,9%1,00,81,0946%
193Itu SP17537,2%1,51,01,0862%
194Belém PA1.39655,0%1,90,91,0840%
195Brasília DF3.01045,7%0,81,01,080%
196Araras SP13633,1%1,21,01,0951%
197Birigui SP12428,5%1,41,01,0858%
198Parnamirim RN27448,9%1,11,01,0832%
199Duque de Caxias RJ86644,8%0,80,81,0811%
200Curitiba PR1.83237,7%1,00,91,0721%
201Novo Gama GO10849,1%1,21,01,0832%
202Abreu e Lima PE10562,4%1,20,81,0943%
203Belo Horizonte MG2.41549,2%0,90,91,0742%
204Nossa Senhora do Socorro SE20663,6%1,91,21,0960%
205Fortaleza CE2.58260,1%1,70,81,0844%
206Mauá SP42954,7%1,51,01,0840%
207Suzano SP32249,1%1,61,11,0835%
208Gravataí RS27541,6%0,80,81,0813%
209Vitória de Santo Antão PE14261,7%2,01,10,9868%
210Serra ES58749,1%1,90,90,9867%
211São José do Rio Preto SP50634,7%1,40,90,9856%
212São José dos Campos SP72940,2%1,01,10,9839%
213São José dos Pinhais PR35435,3%1,20,90,9824%
214Nova Friburgo RJ20342,3%0,70,90,980%
215Boa Vista RR50124,0%1,80,80,970%
216Bauru SP39440,9%1,71,00,9855%
217Tubarão SC11826,5%0,60,80,9100%
218Ourinhos SP10738,2%0,80,80,9866%
219São Leopoldo RS22645,2%1,20,90,9870%
220Guarujá SP29547,0%1,50,80,9762%
221Aparecida de Goiânia GO56142,3%2,01,10,9848%
222Santana AP11947,9%1,30,60,9530%
223Rio Claro SP21135,1%1,20,90,9831%
224Mossoró RN27963,8%1,61,00,9777%
225Aracaju SE62361,9%1,40,70,9784%
226Betim MG43449,1%1,40,80,9840%
227Barra Mansa RJ18247,6%1,11,00,9840%
228Votuporanga SP10132,4%0,90,90,9864%
229Catalão GO12546,0%1,71,10,9755%
230João Pessoa PB90653,8%1,40,70,8851%
231Cabo de Santo Agostinho PE21972,2%1,20,70,8839%
232Franca SP36737,3%0,91,00,8853%
233Criciúma SC22929,5%0,70,80,8850%
234Resende RJ13838,9%1,31,10,8860%
235Olinda PE36463,3%1,40,90,8721%
236Sorocaba SP76640,6%1,40,90,8747%
237Cambé PR11232,8%0,90,70,8857%
238Trindade GO15642,6%1,51,00,8841%
239Valparaíso de Goiás GO22346,4%1,61,00,8869%
240Jundiaí SP46538,3%1,00,80,8720%
241Uruguaiana RS12138,5%1,10,60,8755%
242Itanhaém SP11948,1%1,00,60,8852%
243Salto SP14239,3%0,80,90,8736%
244Caraguatatuba SP14342,6%1,20,60,8841%
245São Vicente SP33850,3%1,70,90,8866%
246Jaraguá do Sul SC20323,5%1,30,80,887%
247Petrópolis RJ29542,1%0,40,60,780%
248Almirante Tamandaré PR12742,7%1,30,80,7734%
249Botucatu SP15243,2%1,40,80,7634%
250Marília SP24832,5%0,90,70,7844%
251Limeira SP30228,5%1,10,70,7853%
252Vilhena RO11123,3%1,30,60,7871%
253Poços de Caldas MG17344,3%0,60,70,7737%
254Sete Lagoas MG24043,2%0,50,60,7661%
255Macaé RJ26548,0%0,80,70,770%
256Jaú SP13729,9%0,60,60,7758%
257Itajaí SC30228,6%0,80,60,7825%
258Palhoça SC26135,0%0,60,60,7732%
259Alvorada RS19451,9%0,80,60,7728%
260Novo Hamburgo RS23633,2%1,20,70,7893%
261Maracanaú CE25361,3%1,30,70,7749%
262Jaboatão dos Guararapes PE68560,6%1,10,50,7762%
263São Gonçalo RJ96048,0%0,80,60,770%
264Cidade Ocidental GO10448,8%1,40,90,7880%
265Indaiatuba SP27136,4%0,80,80,7860%
266Paulínia SP11841,3%1,10,70,7745%
267Manaus AM2.32744,2%2,00,60,7650%
268Coronel Fabriciano MG10943,6%0,80,60,7765%
269Diadema SP40461,0%1,30,80,7736%
270Guaratinguetá SP12237,7%0,50,80,6733%
271São Lourenço da Mata PE11965,9%0,70,30,6661%
272Ribeirão Pires SP11950,1%1,00,80,6615%
273Colombo PR24340,1%0,80,50,6610%
274Igarassu PE12467,5%0,80,60,6632%
275Franco da Rocha SP15155,9%1,10,80,6633%
276Joinville SC67426,2%0,80,60,6732%
277Vespasiano MG14049,6%0,70,50,6665%
278Americana SP24834,0%0,70,70,6662%
279Fazenda Rio Grande PR17039,5%0,80,50,6628%
280Rio Branco AC39033,4%0,60,60,670%
281Santa Cruz do Capibaribe PE10546,4%0,70,50,6639%
282Contagem MG65347,1%0,70,60,6637%
283Santa Luzia MG23150,7%0,60,60,6632%
284Blumenau SC39026,5%0,70,50,6629%
285Ribeirão das Neves MG34952,3%0,70,60,5530%
286Sapucaia do Sul RS13751,8%0,50,50,5664%
287Camaçari BA32468,7%––0,5643%
288São José SC30138,3%0,60,50,5631%
289Cabo Frio RJ23737,0%0,50,50,560%
290Votorantim SP13440,1%1,00,70,5656%
291Brusque SC15922,8%0,40,50,5751%
292Cachoeirinha RS14242,9%0,50,30,5657%
293Maceió AL99548,0%0,80,30,5689%
294Maricá RJ21349,2%0,60,60,5638%
295Volta Redonda RJ28049,6%0,50,50,5623%
296Itapetininga SP16533,2%0,90,50,5534%
297Balneário Camboriú SC15525,8%0,50,50,5792%
298Marituba PA12056,4%0,90,40,5644%
299Ipatinga MG23537,3%0,30,40,5659%
300Atibaia SP16837,2%0,70,60,5671%
301Jacareí SP25240,0%0,50,60,5661%
302São Caetano do Sul SP17341,7%0,70,60,5632%
303Tatuí SP13033,5%0,50,40,5670%
304Itatiba SP12835,3%0,80,50,5669%
305Rio das Ostras RJ16938,6%0,30,40,560%
306São Pedro da Aldeia RJ11131,8%0,50,60,4614%
307Águas Lindas de Goiás GO25049,5%0,70,50,4627%
308Camaragibe PE15660,5%0,50,30,4518%
309Pindamonhangaba SP17338,7%0,30,30,4552%
310Paranaguá PR15036,8%0,30,30,4520%
311Itaguaí RJ12439,6%0,20,30,451%
312Itapevi SP24456,6%––0,4531%
313Pinhais PR13238,8%0,40,40,4439%
314Ananindeua PA51152,6%0,90,30,4585%
315Belford Roxo RJ51843,8%0,30,20,3519%
316Queimados RJ14944,5%0,30,40,3516%
317Japeri RJ10246,2%0,50,40,350%
318Bragança Paulista SP18735,2%0,50,30,3546%
319Ferraz de Vasconcelos SP18757,4%0,60,40,3440%
320Paulista PE36762,5%0,60,20,3539%
321São João de Meriti RJ46644,3%0,20,20,3510%
322Jandira SP12252,5%0,50,20,3539%
323Taubaté SP32336,6%0,50,30,3541%
324Carapicuíba SP39955,4%0,60,30,3430%
325Francisco Morato SP17261,0%0,50,30,3434%
326Itaquaquecetuba SP38454,9%0,50,40,3419%
327Santa Bárbara D'Oeste SP19034,7%0,50,40,3562%
328Nova Iguaçu RJ84341,0%0,20,30,350%
329Valinhos SP13336,5%0,70,40,3473%
330Caçapava SP10037,4%0,30,20,3467%
331Poá SP10651,7%0,40,30,3523%
332Piraquara PR12943,8%0,90,30,3562%
333Mesquita RJ17942,7%0,20,10,2420%
334Ibirité MG18051,8%0,20,10,2433%
335Nilópolis RJ15544,0%0,10,20,2417%
336Mogi Guaçu SP16131,4%0,30,20,2415%
337Araruama RJ13835,2%0,90,30,241%
338Senador Canedo GO18044,9%0,30,10,1430%
8 · A sua vizinhança

Procure o seu local de votação

Escolha o estado e a cidade e digite o nome da escola ou do bairro onde você vota. O mapa mostra cada local de votação, e a ficha diz quanto a sua vizinhança é fechada em comparação com a do resto do país. O mapa cobre todos os municípios; a ficha da cidade, as 338 com mais de 100 mil habitantes. O botão dos agrupamentos mostra o LISA de cada local dentro da própria cidade: os agrupamentos de voto forte de cada lado e as exceções.

Carregando os locais…

9 · A virada

A virada atravessou as bolhas

Se as vizinhanças fechadas funcionam como câmaras de eco, a mudança de voto entre o 1º e o 2º turno de 2026 deveria ter sido menor nelas. Na conta crua, foi: nos 20% de locais com a vizinhança mais homogênea, a margem de Lula andou +3,8 pontos; nos 20% mais misturados, +6,3.

Carregando o gráfico…

Virada média (margem de Lula sobre Flávio no 2º turno menos a do 1º, em pontos) dos locais de votação, pela parcela de Lula na vizinhança no 1º turno. Abaixo de cada barra, os brancos e nulos do 1º turno. Ponderado pelos votos.

Olhando por lado, porém, o padrão é outro. A virada foi grande nas vizinhanças de Flávio (+6,1 pontos onde ele tinha mais de 75%, +7,3 entre 65% e 75%) e pequena nas vizinhanças de Lula (+2,1 onde Lula tinha mais de 75%). Não é a bolha que trava a mudança, são duas coisas mais simples. A primeira é o teto: onde Lula já tinha três quartos dos votos, sobrava pouco eleitor para converter. A segunda é a composição: as vizinhanças lulistas tinham menos brancos e nulos no 1º turno, e outras análises deste site já mostraram que foi desse estoque de votos sem dono que veio a maior parte da virada.

Para separar esses efeitos, comparamos locais da mesma cidade com o mesmo ponto de partida, a mesma parcela de brancos e nulos e de terceira via no 1º turno e o mesmo perfil de idade, escolaridade e sexo do eleitorado. Feita essa comparação, uma vizinhança fechada de Lula (com 75% para ele) teve −1,0 ponto de virada a menos que uma vizinhança meio a meio, e uma fechada de Flávio, −0,7. Na escala logit, que desconta o teto, os dois efeitos ficam ligeiramente positivos: o sinal se inverte. A vizinhança, sozinha, explicava 2% das diferenças de virada dentro das cidades; o modelo completo explica 32%, quase tudo pelos brancos e nulos, pelo ponto de partida e pelo perfil.

Modelo (efeito fixo de município)Vizinhança de Lula, 75%Vizinhança de Flávio, 75%R² dentro das cidades
A: só a vizinhança−2,80 ± 1,23−0,23 ± 1,172%
B: + o próprio local−1,40 ± 1,18−1,60 ± 1,104%
C: + brancos/nulos e terceira via−0,89 ± 0,51−0,90 ± 0,6020%
D: + perfil do eleitorado−1,00 ± 0,19−0,65 ± 0,2732%

Diferença de virada, em pontos de margem, entre um local com vizinhança 75% de um lado e um com vizinhança meio a meio, com intervalo de 95% (erro agrupado por município). Modelo B acrescenta a parcela de Lula no próprio local no 1º turno; C, os brancos e nulos e a terceira via no 1º turno; D, a idade, a escolaridade, o sexo e o tamanho do eleitorado do local. 91.810 locais.

O resultado conversa com Martin e Webster (2020): se a semelhança entre vizinhos vem em boa parte da influência mútua, e não de muros intransponíveis, a mudança de voto pode se espalhar de uma vizinhança para outra. A virada de 2026 foi, nesse sentido, um fenômeno nacional, que andou por todos os tipos de vizinhança mais ou menos na proporção do que havia para mudar.

10 · O contato

Conviver com o outro lado modera, mas pouco

A literatura sobre redes de conversa política sugere que quem vive entre os dois lados se expõe a mais argumentos cruzados e por isso vota de forma menos alinhada: hesita, escolhe uma terceira opção ou não escolhe ninguém (HUCKFELDT; SPRAGUE, 1995; MUTZ, 2006). Os dados de 2026 apontam nessa direção, com efeitos pequenos. Com o mesmo ponto de partida e o mesmo perfil, um local numa vizinhança meio a meio deu +0,7 ponto a mais à terceira via no 1º turno (Cury, Renan e Caiado) e teve +0,5 ponto a mais de brancos e nulos do que um local numa vizinhança 75% de um dos lados.

É um efeito de contexto, medido entre lugares, e não prova que o convívio muda a cabeça de ninguém (ROBINSON, 1950; KING, 1997). Mas é coerente com a ideia de que a vizinhança misturada produz o eleitor ambivalente, e com o achado de que foi justamente esse eleitor, o dos brancos, dos nulos e da terceira via, que decidiu o 2º turno. A meta-análise de Pettigrew e Tropp (2006) mostra que o contato entre grupos reduz o preconceito mesmo fora das condições ideais descritas por Allport (1954); Enos (2017) lembra que a proximidade sem contato real, a de quem só se vê de longe, pode ter o efeito oposto e acirrar a hostilidade. As cidades de muros ficam desse lado da fronteira.

11 · Classe ou política

A separação é de classe ou de política?

Parte da separação política entre bairros é só reflexo da separação social: se a escolaridade prevê o voto, e as pessoas moram separadas por renda, os votos também moram separados. Para medir quanto, comparamos a separação real de cada cidade com a que se preveria só pela idade, pela escolaridade e pelo sexo do eleitorado de cada local, usando o perfil do eleitorado por seção do TSE. A renda não está no cadastro, e a escolaridade faz as vezes dela.

Nas cidades grandes, o perfil explica uma parte considerável, mas não a maior parte: a mediana é de 40% com a relação entre perfil e voto média do país, e de 63% com a relação estimada em cada cidade, que é um teto, porque infla nas cidades com poucos locais. Dentro das cidades, o perfil explica 32% das diferenças de voto entre locais. Em Teresina e Salvador, com a relação estimada na própria cidade, o perfil prevê 88% e 77% da separação: ela é quase toda social. No Rio de Janeiro, o perfil explica só entre 2% e 21%: a Rocinha e a Gávea votaram em Lula (77% e 76%), a Vila Militar e a Barra da Tijuca em Flávio (19% e 30%). A linha que corta o Rio separa a Zona Sul e o Centro da Zona Oeste e das áreas militares, e não o rico do pobre.

É o que Layton, Smith, Moseley e Cohen (2021) chamaram de polarização demográfica em 2018: divisões de gênero, religião e raça que o voto brasileiro não tinha antes, e que se somam à clivagem de renda que Samuels e Zucco (2018) e Nicolau (2020) descrevem. A geografia dentro das cidades guarda as duas coisas. Onde a cidade é segregada por classe, o voto segue a classe; onde há identidades territoriais fortes, como no Rio, o voto segue o território.

12 · O que fica

Um país dividido no mapa, misturado na rua

A imagem de um Brasil partido em bolhas é verdadeira na escala do país e falsa na escala da rua. O eleitor típico de Lula vota numa escola cuja vizinhança deu 44% dos votos a Flávio, e o eleitor típico de Flávio, numa onde 46% votaram em Lula. A separação que existe é sobretudo regional, herdeira do realinhamento de 2006, e diminuiu desde 2018 à medida que o Sudeste voltou a ser disputado. Dentro das cidades, ela é pequena e caiu na maioria delas.

As quatro escalas contam a mesma história de ângulos diferentes. Nas regiões e nos estados, os blocos continuam nítidos, e o correlograma mostra que a semelhança do voto se estende por centenas de quilômetros. Nos municípios, o voto é organizado em grandes agrupamentos, com pouquíssimas exceções. Nas cidades, a separação é pequena e a correlação entre locais vizinhos, moderada. De 2018 a 2026, a mistura avançou nas escalas menores, a dos estados por dentro e a dos locais, enquanto os blocos maiores se mantiveram.

Há duas exceções que merecem atenção. A primeira são as cidades de condomínios, como Nova Lima, onde a separação política cresce junto com os muros. A segunda são as cidades do agronegócio, onde o centro e os distritos votam como dois países. Nos dois casos, a separação física se soma à social, o arranjo que a literatura associa a mais hostilidade entre grupos (ENOS, 2017).

E a virada de 2026 mostra que as bolhas que existem são porosas. A mudança de voto entre os turnos andou por vizinhanças lulistas, bolsonaristas e mistas na proporção do que havia para mudar. Se a polarização afetiva cresceu, como mostram os surveys, ela convive com um eleitorado que ainda divide as mesmas escolas no domingo de eleição.

Método, limites e dados

Como as contas foram feitas

Referências

Referências

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